Em coletiva de imprensa, Célia Cavalcanti ainda esclareceu que o município não pode ir contra decreto estadual e que aguarda nova proposta dos comerciantes

A prefeita de São Lourenço, Célia Cavalcanti, junto ao secretário de Saúde, Everton Andrade, e o coordenador da epidemiologia e do pronto-socorro do Hospital de São Lourenço, Dr. Leonardo Godoi, concedeu na tarde desta sexta-feira, 17, entrevista coletiva. Durante a conversa com os jornalistas, foram esclarecidas dúvidas a respeito das medidas tomadas no combate ao coronavírus na cidade.

A entrevista aconteceu no saguão da prefeitura municipal, com todo o cuidado para prevenção à covid-19. Algumas das medidas foram o convite a um profissional por órgão de imprensa e a disponibilização de álcool em gel e distribuição de máscaras.

Tendo em vista a confirmação do terceiro caso de coronavírus em Itanhandu, a prefeita foi questionada pelo JORNAL PANORAMA sobre como a prefeitura está se preparando para uma possível reabertura do comércio, uma vez que a cidade é destino de moradores das cidades que vizinhas que trabalham, estudam ou tem compromissos em São Lourenço. “Sempre falo o seguinte: não posso pensar só por São Lourenço, nossa população circula normalmente pelas cidades vizinhas e não temos como impedir. Eles vêm a trabalho, fazer compras, ir ao médico. Não é só uma contaminação que só está aqui, há um tempo atrás era só São Paulo, Rio, BH, a partir do momento que começam a confirmar esses casos a gente fica preocupado… Porque nosso hospital é regional, o Corpo de Bombeiros é regional, batalhão de polícia é regional, a delegacia é regional. O nosso comércio é regional”, explicou Célia. “Não somos contra a abertura do comércio. A gente sabe que esse vírus anda não pelo ar, a pessoa que leva o vírus. Se você abre o comércio, como muitos estão falando, ‘tem que abrir’, a gente sabe que na hora que houver uma flexibilização, dependendo da flexibilização, vai aumentar muito o número de pessoas transitando e vai aumentar o risco de contágio”, completou.

A prefeita esclareceu que há a existência de um comitê que toma as decisões relativas ao combate à doença. Mas que não há como permitir a abertura de estabelecimentos como bares e restaurantes, já que há um decreto estadual que proíbe esse tipo de comércio. “Ontem (16) o governador flexibilizou o decreto, permitindo abertura de concessionárias de carros, entre outros. Nós ajustamos a esse decreto estadual e colocamos normas sanitárias exigidas e permitimos a abertura. Mas há coisas que não adianta discutir, se o decreto determina. Não posso ir além do decreto estadual”, declarou.

Célia Cavalcanti ainda afirmou que a prefeitura está à espera de nova proposta dos representantes dos comerciantes locais para discussão do comitê. “O Conventions e CDL, que também fazem parte do comitê, já estão nos apresentando a terceira proposta sobre o que pode ser aberto, como pode ser aberto e como pode ser flexibilizado, dentro da realidade de casos e de possibilidade de atendimento. E dentro do que o decreto do Governo do Estado permite”, anunciou.

A chefe do Executivo também foi questionada sobre o fechamento da saída para Soledade de Minas, onde existe uma barreira impedindo totalmente o acesso, e se não haveria a possibilidade de colocação de barreira sanitária no local. Hoje, há barreiras sanitárias nas saídas para Pouso Alto e Carmo de Minas. “O problema das barreiras é a mão de obra, porque elas têm que funcionar 24h. Eu sei que dificulta o acesso, mas não impede. Então, o direito de ir e vir está garantido”, disse.

O secretário de Saúde Everton Andrade afirmou que o hospital entrou nessa crise bem financeiramente. “Nosso hospital tem conseguido manter os equipamentos e insumos, mas em todos os lugares há dificuldade de conseguir EPIs. Para se ter uma ideia, em janeiro, uma caixa de máscaras custava R$8,90 e hoje, quase R$100”, informou.

De acordo com o Dr. Leonardo de Godói, o Hospital de São Lourenço está preparado para receber pacientes. “Temos uma tenda onde é feita uma triagem. Há também médicos e equipamentos preparados para atender aos casos mais graves da doença”, afirmou. Atualmente, há seis leitos com respiradores prontos para receber os pacientes com coronavírus.

A questão fiscal também foi abordada. “O que a prefeitura pode fazer é adiar prazos. Abrir mão de multas e juros, essa é uma questão que dependemos da aprovação da Câmara”, disse a prefeita Célia.

Ao fim da coletiva, a prefeita Célia comentou sobre o decreto 7822, de 15 de abril, que determina o uso de máscaras de proteção nos comércios a partir de 20 de abril nos ambientes de estabelecimentos comerciais, para uso de táxi e entrada em estabelecimentos considerados essenciais. “Nosso decreto determina que o uso de máscaras seja obrigatório nos comércios que estão permitidos de funcionar e recomenda o uso nas ruas”, afirmou, e complementou: “Está chegando inverno, temos muitos idosos. É uma doença que não tem base científica, por isso o cuidado tem que ser maior. E o que sabemos ao certo que funciona é o isolamento social, a higiene. Vamos ter que mudar nossos hábitos. Vamos sempre lutar para preservar o maior número de vidas possíveis. Temos pessoas responsáveis no comitê e noite e dia pensamos nisso, em como mudar, em como melhorar e em como ajudar o maior número de pessoas”, finalizou.

Confira a coletiva na íntegra!