O Jornal Panorama conversou com médico Doutor Edson Libanio na terça-feira (14) sobre o avanço do coronavírus na nossa região, no Brasil e no mundo. A entrevista foi dividida em três partes para levar a melhor informação até aos leitores. Hoje, vamos entender melhor sobre as vacinas que estão sendo desenvolvidas pela comunidade cientifica. Amanhã o papo será sobre as questões politicas envolvendo o novo coronavírus. Para encerrar, na sexta-feira (17), o Doutor Edson vai explicar o impacto do novo coronavírus na região.

Uma dúvida de toda população é quando teremos vacinas disponíveis para o novo coronavírus. Boa parte do caos na saúde, na economia e socialmente que o mundo inteiro vem passando é justificado pela ausência de vacinas e tratamentos para a doença.

Em situações normais, vacinas e remédios passam por um rito longo, complexo e burocrático antes de serem aprovados para o uso da população. O processo começa com estudos, que são realizados em células e em cobaias até serem totalmente desenvolvidos para humanos. Ao redor do mundo várias vacinas estão sendo desenvolvidas com diferentes linhas de pensamento, como explicou o Doutor Edson Libanio.

“Esta é, em minha visão, uma questão crucial, pois é a maior esperança de controle desta terrível pandemia. Existem hoje várias vacinas em desenvolvimento no mundo todo. Tem-se notícia de mais de 70 ensaios sérios na tentativa de desenvolvimento de uma vacina eficaz e segura”, conta o médico.

Segundo o Doutor Edson, a vacina com maior expectativa é da Johnson, que vem sendo trabalhada em Detroit, nos Estados Unidos.

“A vacina mais promissora é da Johnson, que já está na fase 2 (testes em número restrito de seres humanos). Os testes ocorrem em Detroit, nos EUA. Tudo correndo bem, estaria disponível no início de 2021. O que temos de mais consistente é esta”, explicou o Doutor Edson

Jennifer Haller foi a primeira pessoa a receber uma dose da vacina contra coronavírus nos EUA — Foto: Ted S. Warren/AP

Cientistas norte-americanos também realizaram testes em voluntários de Seattle, um dos estados mais afetados pela Covid-19 no país. De acordo com o comunicado do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, cerca de 45 voluntários participaram deste teste com idades entre 18 e 55 anos.

Outro estudo promissor vem sendo realizado em Hong Kong, mas pouco atrasado em relação aos estudos americanos. Laboratórios de todo mundo competem em busca de uma solução para a situação. Além disso, de acordo com o Doutor Edson, é difícil avaliar estudos realizados em tão pouco tempo.

“Tem-se outra vacina, de dois importantes laboratórios que se associaram, um italiano e outro britânico, e que promete a vacina para setembro/2020, já em escala industrial. Pessoalmente, acho muito difícil avaliar o perfil de segurança em tão pouco tempo. Vê-se que estes pesquisadores ‘pularam’ fases importantes, o que não deveria ser feito, mesmo em caso desesperador que estamos vivendo em alguns países. Sabe-se lá quais seriam os efeitos paralelos deste imunobiológico. O certo é que não podemos substituir uma tragédia por outra. Mas é minha opinião pessoal.  A notícia é que vão testar no final deste mês em 550 voluntários no Reino Unido. Em seguida em larga escala, em maio ou junho. Neste caso, a vacina já estaria disponibilizada em setembro, daqui a 4 ou 5 meses!”, explicou o médico. 

O risco de pular etapas na construção de uma vacina

Até chegar aos postos de saúde, as vacinas são testadas exaustivamente por toda comunidade cientifica. É questionado por toda a população se neste caso de pandemia não há a necessidade de pular etapas para uma construção de remédios e vacinas mais rapidamente. De acordo com o Doutor Edson, seguir os ritos necessários evitam qualquer tipo de risco para população.

Dr. Edson Lopes Libanio referência na área médica de Baependi

“Não acho que deveria ser ‘pulado’ etapas. O perfil de segurança deve ser muito bem avaliado para não se trocar um grande problema (que é a pandemia) por outro grande problema em maior escala ainda, já que toda a população seria exposta. Só por força de argumento: uma vacina contra rotavírus, uma doença mortal e muito frequente, foi vista como tábua de salvação há aproximadamente 14 anos. E foi aplicada em milhares de crianças. E centenas faleceram ou foram acometidas de intuscepção intestinal (“nó nas tripas”). Só 7 anos depois tivemos uma vacina segura, depois de todas as etapas vencidas. A vacina atualmente aplicada na rede pública é espetacular e seguramente responsável por muitas vidas salvas de bebês. Acho que estas poções mágicas e milagrosas, que são as vacinas, são uma arma tão importante, poderosa, delicada e eficaz que não podemos arriscar e banalizar sua produção. Mesmo com esta mortalidade que estamos vendo em alguns países. Neste caso, a vacina tem que chegar para resolver o problema definitivamente, e com segurança. Não tem que fazer ‘meia-boca’”, ressalta o médico.

Estudo brasileiro é desenvolvido por grupo de pesquisadores

Um grupo de pesquisadores brasileiros, liderados por Ester Sabino, conseguiu sequenciar em pouco tempo o genoma do novo coronavirus. O sequenciamento descoberto é fundamental para conhecer a diversidade do vírus, sendo necessário o diagnóstico para a formação de vacinas e medicamentos diante das mutações. De acordo com o Doutor Edson, o trabalho é muito promissor.

“Outras vacinas, inclusive uma brasileira, no Instituto do Coração (Adolfo Lutz), é conduzido pela genial Dra. Ester e sua equipe. Está bastante adiantado o estudo, embora em fase 1, nos testes em cobaias.  É muito promissora, e seguindo todas as fases obrigatórias na produção segura de um imunobiológico, como deve ser. A previsão é de estar disponível entre 15 e 24 meses. Isto é, em junho do ano que vem, pouco mais ou pouco menos que isto. Parece muito, mas não é se lembrarmos que a vacina mais rapidamente produzida até hoje demorou 5 anos. E normalmente o desenvolvimento de uma nova vacina leva entre 10 e 15 anos’’, explicou o Doutor Edson.

Profa. Dra. Ester Cerdeira Sabino (USP Imagens)

Apesar das muitas dificuldade e variados estudos, Doutor Edson acredita que podemos ter no início do ano que vem uma ótimas vacinas contra o covid-19. A Cloroquina é realmente indicada para curar o coronavírus e o isolamento social é realmente necessário? Na reportagem do Jornal Panorama de amanhã você vai entender melhor essa questão.