Dificuldade de comercialização atinge o setor, mas a persistência é maior

Diante dos últimos acontecimentos, o JORNAL PANORAMA tem acompanhado o dilema vivido por alguns comerciantes e produtores, especialmente os de leite e queijo, produto típico dos municípios do interior de Minas Gerais.

O JORNAL PANORAMA luta junto com os produtores para que esses produtos sejam reconhecidos e valorizados; são muitas matérias e reportagens que revelam sobre nossa cultura e produção. E devido a pandemia do Coronavírus, podemos observar as novas lutas que os produtores enfrentam para que seus produtos continuem indo ao encontro do consumidor.

Em entrevista com o secretário da Associação dos Produtores de Queijo Artesanal Mantiqueira de Minas (APROMAM), Evanildo Maciel dos Santos, que é produtor e atual vice-prefeito do município de Baependi, o JORNAL PANORAMA buscou informações de como está a realidade desses produtores durante este período.

“De fato, essa pandemia gerou muitas dificuldades para os produtores de queijo artesanal, devido a suspensão temporária das feiras e a dificuldade do envio dos produtos até os grandes centros. Tudo foi interrompido”, informou Evanildo, que ainda destaca que isso ocasionou um colapso em toda a cadeia produtiva do agronegócio. “Alguns produtores até têm pedidos e encomendas, mas o problema é entrega, por conta do fechamento das estradas”, menciona.

As vendas pela internet são o destaque da atualidade e possibilitam que os produtos sejam encaminhados através do envio via Correios. Isso ameniza, mas as vendas realizadas em estabelecimentos comerciais faz muita diferença aos produtores.

O JORNAL PANORAMA ainda buscou informações com a jovem produtora Thaylane Guedes, de Alagoa, que tem reinventado e estimulado mais as vendas pela internet através das redes sociais. Incentivos de apoio ao pequeno produtor também são destacados pela família da Fazenda Bela Vista. A jovem informa que as venda caíram muito devido aos comércios fechados, e ressalta que isso resultou na redução da produção. “Essa época era para os mercados estarem ‘bombando’ de vendas”, revela Thaylane.

Em consonância com a jovem, o produtor Evanildo Maciel, da Fazenda Serrabela, localizada no bairro da Vargem, em Baependi, ressalta que diante do medo dos prejuízos, “muito produtores diminuíram a quantidade de leite das vacas, fornecendo uma alimentação menor para o gado. Outra alternativa também que restou foi fazer queijos grandes, com um período maior de maturação e que aguentam mais”, completa.

Ainda segundo Evanildo, também ocorre as soluções caseiras, vendendo na própria cidade e com as entregas realizadas pelos próprios produtores. “Mas de qualquer maneira, não podemos desanimar, porque de um tempo para cá abriu-se uma perspectiva muito boa para os queijos artesanais, o consumo aumentou bastante, a qualidade subiu, as leis estão mais adequadas ao setor. É hora de usar a criatividade, inovar, porque essa crise vai passar e quem souber tirar proveito dela vai se dar muito bem! Afinal de contas, é na crise também que se cresce, não é?!”, ressalta.

É com esse espírito de renovação e persistência que se deve seguir nesses tempos, valendo-se que é um momento de ação de todos contra o vírus e que será passageiro. Um novo período virá onde todos se confraternizarão, e o gostinho precioso dos queijos artesanais fará ainda mais parte desses momentos com a família e os amigos.

Fotos: Arquivo Pessoal