A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, afirmou nesta quinta-feira (9) ter medo que algumas medidas de emergência para combater a propagação do novo coronavírus sejam usadas como justificativa para implementar “mudanças repressivas”.

“Me preocupa profundamente a adoção, por parte de alguns países, de poderes ilimitados de emergência, não sujeitos à revisão”, explicou a ex-presidente do Chile, durante sessão virtual da Comissão de Direitos Humanos que analisou os efeitos políticos e sociais da covid-19.

“A epidemia está sendo usada para justificar mudanças repressivas na legislação convencional, que seguirão em vigor muito depois desta emergência”, completou Bachelet.

A alta comissária das Nações Unidas evitou dar exemplos concretos sobre as medidas que citou, embora nas últimas semanas tenham surgidos muitas críticas internacionais a governos da Hungria e Filipinas, que aumentaram os poderes dos chefes de governo.

Bachelet concordou que muitas das medidas de emergência tomadas em todo o planeta “são necessárias”, diante da pandemia da covid-19 e que os governos estão tomando decisões muito difíceis para tentar conter a propagação do coronavírus e ainda avaliar impactos na vida social, política e econômica.

“No entanto, não é um cheque em branco, para que se esqueça com as obrigações com os direitos humanos”, garantiu a chilena.

A alta comissária da ONU, além disso, destacou que a população precisa ser informada corretamente sobre conteúdo e duração de todas as medidas que foram e vierem a ser implementadas. Além disso, expressou preocupação com ações que limitem a liberdade de imprensa.

Fonte: R7 e Agência EFE