Detox da “Coisa19”

Antes de retornarmos em nossa alienação proposital da enxurrada de opiniões, já feitas e sabidas dos vários “especialistas” e “sabichões”, onde como torcedores de clubes de futebol já resolvemos qual é o melhor time, qual o melhor partido político, vale uma observação.

Antes, notem, que além de pediatra, sou Auditor do Ministério da Saúde por 30 anos, aposentado há 16 meses, e dentre minhas funções estava a supervisão da vigilância epidemiológica e sanitária, auditoria analítica e de sistemas de saúde. Fui bom nisto. Sei o que falo. Tenho colegas ainda na ativa e um grande amigo com qual trabalhei por 15 anos, o Estatístico Clovis, ele está debruçado nesta guerra absurda em Brasília. Clovis é o que mais chega perto de gênio com quem já convivi em minha vida, exceto o Professor Cesar Pernetta.

Pois bem: virou clubismo mesmo. Partidarizou o vírus.

Quem é de um espectro político acha que o isolamento horizontal é um absurdo e vai quebrar empresas, levar ao desespero financeiro várias famílias em que pese o voucher que o governo acaba de instituir. Dizem estes que o dano econômico é pior que o dano da infecção. Que a Cloroquina é uma poção mágica que cura a tal. Concordo parcialmente com estas assertivas.

Já o outro espectro político acha que as vidas são o mais importante e o isolamento social horizontal (todo mundo em casa) deve ser mantido até o controle da peste, dure o tempo que precisar. E a cloroquina é toxica demais e nem deveria ser usada. Concordo também parcialmente com estas assertivas.

Pois bem. Tenho por mim, que sou obrigado a dar minha opinião, já que tenho este espaço, e tenho experiência e informações confiáveis (valeu grande Amigo Clovis, o JORNAL PANORAMA e O Tempo pela liberdade total que me oferecem).

 Pelo acirramento clubístico/partidário é certo que nem um lado e nem outro estarão em concordância que vou teclar. Mas estou já me acostumando a levar cacetada, até de amigos e familiares. Como diria meu companheiro e amigo Pedrão lá do Gamarra: Portamelá!

Realmente ninguém sabe com certeza o que é o melhor.

Situação nova para toda a comunidade científica. Nenhum ensaio se mostrou totalmente fidedigno. Ações semelhantes não tiveram resultado semelhante. O que foi bom para coreia não funcionou na Suíça. O que foi péssimo para Itália foi só ruim na França. O que foi razoável no Japão está catastrófico nos EUA. Tudo está na base do empirismo. O tempo tem sido o senhor da razão. Como se fala, a Vacina será a grande arma, e não a Cloroquina, que funciona um pouco, mas não resolve. A vacina está na fase 2, experiência em humanos em Seattle. Se correr bem entre 6 e 9 meses estará disponível.  A vacina anteriormente mais rápida a ser produzido demorou 5 anos. Aqui uma observação: esta rapidez em grande parte deve-se a uma Brasileira que decodificou o genoma em incrível 72 horas (Pesquisadora do IMT-USP Ester Cerdeira Sabino e sua equipe). O normal é em 90 dias. Esta rapidez impressionante vai adiantar a produção da vacina em 90 dias, inimaginável o número de vidas poupadas neste período. É uma heroína a Dra. Ester.

Mas voltando ao tema: para agora o que eu acho? Acho que devemos seguir as diretrizes do Ministério da saúde e da Secretaria Municipal de Saúde. Sem dúvida.

Por enquanto: Horizontal até a flat curve (talvez em fim de abril ou início de maio, depende da região deste pais continental) e vertical até que em amostragem robusta os testes (que agora começaram a ser feitos) mostrarem que 65% já estão imunes, o que deve ocorrer em setembro ou antes.

E em Baependi lockdown (controle nas entradas da cidade).

E digo mais: o comércio é importante? Claro que é. O que acontece é que o prejuízo se a coisa degringolar será muito maior. Além do aumento de perdas de vidas, o preço a pagar (dinheiro mesmo) será maior ainda. E por isto imagino que o isolamento mais radical ainda deva ser feito, mas apenas por mais algumas semanas. Mesmo que algumas pessoas seja resistentes os cidadãos que ficam em casa bastam para conter a propagação e o espalhamento em massa do vírus, distribuindo melhor os casos e possibilitando melhor assistência medica.

Mas repito o que teclei ao início.

Não sei o que é melhor, é verdade.

Mas sei o que é o pior. É partidarizar ou achar clubista o tal, e a cada movimento da sociedade cientifica e do Ministério da Saúde e da Secretaria Municipal de Saúde, uma turma bate palmas e a outra vaia, independente do que tenha sido feito.

Não é Atlético x Cruzeiro.

Por: Dr. Edson Lopes Libanio

Dr. Edson Lopes Libanio é o atual Presidente da Regional Sul da Sociedade Mineira de Pediatria (pela 5º vez). É diretor Médico da Clínica Baependi. Foi diretor algumas vezes da Sociedade Mineira de Pediatria e da Sociedade Brasileira de Pediatria. Foi Auditor Médico do Ministério da Saúde por 30 anos. Foi Pediatra da SES MG. Tem inúmeros outros cargos classistas em sua história de vida, desde Diretor Clínico do HCMR algumas vezes até da diretoria da AMMG. Mas gosta de ser apresentado mesmo como um Pediatra do interior.