Remédio já usado com poucos efeitos colaterais teria diminuído replicação do Sars-CoV-2; segundo pesquisadores, é sinal de que merece ser testado em estudos mais amplos (Foto: Paulo Nicolella / Paulo Nicolella / Agência O Globo)

Cientistas brasileiros testaram com sucesso contra o coronavírus uma droga que tem sido usada há quase duas décadas contra o HIV. O remédio é o atazanavir, que desde 2003 trata pacientes com Aids. Um grupo de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostrou que em testes com culturas de células ela reduz em até 100 vezes a velocidade de replicação do vírus Sars-CoV-2.  Porém, devido ao histórico com a Aids, é potencialmente menos tóxica do que, por exemplo, a cloroquina, que também atua sobre a multiplicação do vírus nas células.

A descoberta não significa que a atazanavir poderá ser empregado imediatamente no tratamento de vítimas da Covid 19. Indica, porém, que tem resultados bons o suficiente para que mereça ser testada em estudos maiores. Em tese, ela também pode reduzir a inflamação generalizada associada aos casos mais graves de Covid.

Mas os pesquisadores ainda não sabem se o efeito contra a inflamação se deve à redução da quantidade de vírus ou se o medicamento é mesmo anti-inflamatório. A primeira opção é considerada a mais provável, isto é, que a produção de substâncias inflamatórias pelas células humanas tratadas seja menor porque a carga de vírus foi reduzida.

A própria equipe da Fiocruz já iniciou testes com camundongos, explica o líder do estudo, Thiago Moreno Souza, do Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde (CDTS), do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). A droga é da classe dos inibidores de protease. Ela atua bloqueando a ação de uma enzima, a protease, essencial para que o vírus possa se multiplicar dentro das células humanas invadidas.

Fonte: Jornal O Globo