Peças são produzidas por presos e destinadas a profissionais de saúde da região

Recuperandos da Apac de Caratinga produzem de 600 a 700 máscaras por dia. A pandemia causada pelo novo coronavírus praticamente paralisou o mundo, mas não as boas ações. Uma delas vem da Associação de Proteção e Assistência ao Condenado (Apac) de Caratinga, cidade do Vale do Rio Doce, a 310km de Belo Horizonte.

Lá, desde 1º de abril, os presos se uniram em um mutirão para produzir máscaras destinadas a profissionais de saúde para o combate à covid-19. A ação é coordenada pela Comarca de Caratinga, com mão de obra dos presidiários e material fornecido pela Secretaria Municipal de Saúde.

Boas ações não são novidade entre as Apacs de todo o estado, onde os presos são incentivados a trabalhar, como melhor forma de ressocialização. Na Apac de Caratinga não é diferente, de acordo com o juiz Consuelo Silveira Neto, titular da 1ª Vara Criminal e de Execuções Penais da comarca.

Ele diz que a entidade já desenvolve diversos projetos que visam ajudar a comunidade e, simultaneamente, proporcionar mais oportunidades de ressocialização para os detentos. “São vários os projetos de ressocialização, mas agora estamos canalizando nossas forças para o combate à pandemia provocada pelo coronavírus”, enfatiza o magistrado.

“Ao colocar em prática esse projeto, tentamos amenizar os efeitos dessa pandemia, mas também procuramos fazer com que cada recuperando possa refletir sobre seus atos e entender o papel do ser humano em sociedade, buscando sempre maior solidariedade e ajuda ao próximo”, acrescentou o juiz.

Parceria com prefeitura

Com a chegada e rápida proliferação da doença em todo o planeta, a entidade teve que agir rápido. Inicialmente 10 detentos deixaram de lado outras atividades e passaram a produzir máscaras hospitalares.

A entidade comprou um rolo de 100 metros de TNT, espécie de tecido utilizado para a produção das máscaras, e recebeu doação dos elásticos da empresa Faiko, que trabalha na área de confecção de roupas em Caratinga.

Mas o rolo de TNT adquirido foi muito pequeno e possibilitou a confecção de apenas 2.500 máscaras, que literalmente evaporaram diante da forte demanda pela peça.

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Apac de Caratinga já faz ações para ajudar a comunidade, mas a rotina mudou com a produção de máscaras destinadas aos profissionais de saúde da região

Segundo a diretora da Apac de Caratinga, Adriana Luppis, a entidade não tinha verba para continuar a produção. Em compensação, sobravam mão de obra e vontade de ajudar a rede de saúde da região.

“Conseguimos fazer uma parceria com a Prefeitura de Caratinga, envolvendo a Secretaria Municipal de Saúde, que se comprometeu a comprar o TNT e os elásticos, itens imprescindíveis para a fabricação do material”, lembra Adriana.

Agora, segundo ela, 12 detentos estão envolvidos na produção de 600 a 700 máscaras por dia. Toda a produção é entregue à Secretaria de Saúde, que se responsabilizou em distribuí-la para a rede de saúde da região. Uma das principais entidades a receber as máscaras é o Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, situado em Caratinga.

Prevenção

O material é destinado ao uso exclusivo de profissionais que atuam nos centros de saúde e estão sobrecarregados em função do combate ao coronavírus e outras doenças.

Adriana lembra que a Apac também adotou medidas de prevenção para proteger a saúde de funcionários e dos detentos. “Restringimos as visitas aos recuperandos que cumprem pena no local, e os recuperandos que trabalham fora e que só vinham aqui para dormir passaram a ter medida domiciliar”, explica a diretora.

Atualmente a Apac de Caratinga abriga 150 recuperandos, que se envolvem com vários outros tipos de trabalho, sempre visando a ressocialização.

Assessoria de Comunicação Institucional – Ascom
Tribunal de Justiça de Minas Gerais – TJMG