As indústrias têm como meta produzir o equipamento em escala nos próximos dois meses para doação ao poder público ou diretamente a hospitais (foto: Fernando Frazão/Agência Brasil 29/2/20)

Em tempo considerado recorde pela indústria de Minas Gerais, passaram à fase de testes os primeiros protótipos de respiradores mecânicos desenvolvidos pelo setor com tecnologia local para o combate, nos CTIs, ao novo coronavírus. O desenvolvimento é simultâneo, envolve várias empresas, o Centro de Inovação e Tecnologia (CTI) Senai/Fiemg, laboratórios privados e institutos de universidades.

A indústria tem como meta produzir o equipamento em escala nos próximos dois meses para doação pela Fiemg, entidade que coordena esse esforço, e por algumas empresas ao poder público ou diretamente a hospitais. Em 60 dias, cerca de 1 mil respiradores deverão ser entregues, como estima o presidente da Federação das Indústrias em Minas, Flávio Roscoe.

Os equipamentos poderão ser montados numa única fábrica, com peças produzidas em mais de uma empresa. O próprio Senai-MG, o serviço de aprendizagem industrial, vinculado à Fiemg, está usinando peças e participa de um programa nacional do setor para oferecer a manutenção de respiradores desativados. Não se sabe o número exato desses equipamentos que estão parados, mas acredita-se que seja universo considerável.

Há estimativas de que passaria de 3,6 mil o número de equipamentos, os chamados ventiladores pulmonares, descartados no país por falta de manutenção. Em Minas, foram definidos pontos de atendimento para prestar o serviço no Centro de Inovação e Tecnologia Senai/Fiemg, na planta da Fiat Chrysler Automóveis, em Betim, na Grande BH, e no Centro de Inovação ArcelorMittal para Indústria, em BH.

Serão 25 pontos de atendimento em 13 estados – além de Minas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte – para manutenção de respiradores mecânicos. A iniciativa é de uma rede voluntária de grandes empresas. Cada respirador que passar pela manutenção poderá atender até 10 pessoas.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) disponibilizou um canal direto de comunicação entre hospitais e clínicas que tenham aparelhos à espera de manutenção com os pontos de atendimento. Os respiradores desenvolvidos em Minas vão chegar aos hospitais antes do desembarque dos equipamentos que a Fiemg encomendou da China, também como parte das campanhas para ajudar no tratamento das pessoas infectadas pela COVID-19. “Desenvolver esses equipamentos é a maior contribuição que a nossa indústria pode dar ao país. Eles chegarão mais rápido aos hospitais”, afirma Roscoe.

O primeiro contrato de compra do produto chinês acaba de ser fechado, ao custo estimado de US$ 6,5 mil cada um, posto no porto para embarque ao Brasil. A esse valor serão acrescidas as despesas de frete, armazenagem até que seja feito o desembaraço aduaneiro e com impostos. Vencer a distância em relação ao país de origem é outra dificuldade: os aparelhos só devem desembarcar no Brasil entre junho e julho.

A indústria mineira, ainda por meio da Fiemg, está avaliando outra campanha de ampliação de leitos de hospitais em Minas. Um dos projetos é equipar 240 leitos de CTI na unidade do Hospital Mater Dei de Betim, na Grande BH, em convênio com o estado, que bancaria a contratação dos médicos durante a pandemia, e outro estudo que está sendo feito consiste na reforma de 60 leitos no Hospital Mário Pena, orçada em R$ 2 milhões.

O setor está trabalhando na montagem do hospital de campanha no centro de convenções Expominas, em BH. Junto à destinação de recursos financeiros, em negociação com o governo estadual, a Fiemg fornece experiência técnica em montagem. O hospital de triagem terá 980 leitos. O envolvimento das empresas tem de ser entendido não só como parte da luta pela vida, obrigação de todos, como também a demonstração de que não pode haver antagonismo entre salvar pessoas e a economia. Não há PIB que se mantenha sem gente firme sob os pés e livre do medo.

Cooperativismo

R$14,4  milhões  É o valor que a Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé, no Sul de Minas, distribuirá aos cooperados, referente aos 10% das sobras do exercício de 2019

VLI DOA R$ 6 MILHÕES

Empresa de logística que opera terminais, ferrovias e portos, a VLI anunciou ajuda humanitária de R$ 6 milhões para auxiliar Minas Gerais, Rio de Janeiro, Maranhão, Tocantins e Bahia no enfrentamento da pandemia. Prometeu distribuir 420 mil itens de saúde a caminhoneiros, e 30 mil cestas básicas. A companhia anunciou ainda que não demitirá durante a crise do vírus.

GUIA NECESSÁRIO

O Sebrae lançou guia de gestão financeira para atender a pequenos negócios, muito afetados pelos efeitos do novo coronavírus sobre a economia. A empreitada inclui guia financeiro, orientações quanto a medidas de prevenção e dicas de gerenciamento. Entre os setores mais impactados estão turismo, alimentação fora de casa, feiras livres e varejo tradicional.

Fonte: Estado de Minas