A barragem de Doutor, administrada pela mineradora Vale, em Ouro Preto, na região Central de Minas, teve sua condição de emergência elevada nessa quarta-feira (1º). A estrutura passou a ser considerada de nível dois, quando problemas encontrados na estrutura não foram controlados, segundo o DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral).

Com isso, cerca de 60 famílias precisarão ser removidas de casa como medida de prevenção em caso de rompimento. As famílias serão retiradas ainda no mês de abril e encaminhadas para hotéis.

No ano passado, outras famílias já haviam sido retiradas das proximidades da estrutura. “Na barragem de Doutor, a Vale adotou procedimentos mais conservadores e não atingiu fator de segurança. Com isso, ela aumentou para nível dois. Com essa elevação, outras famílias deverão ser evacuadas. A mineradora já se reuniu com Defesa Civil de Ouro Preto e apresentou um plano de ação”, afirma o tenente-coronel Flávio Godinho, porta-voz da Defesa Civil de Minas Gerais.

Segundo a ANM (Agência Nacional de Mineração) a estrutura tem 37 milhões de m³ de rejeitos armazenados. A barragem foi construída em modo à montante, método considerado assassino por especialistas, já que foram registrados dois rompimentos em Minas, em Mariana e Brumadinho. Este último vitimando 250 pessoas.

Outras estruturas em risco

Além da barragem de Doutor, outras estruturas da Vale não receberam a DCE (Declaração de Estabilidade) e, por isso, tiveram a condição de segurança elevada para o nível um.

Com isso, agora, Minas conta com 19 barragens em nível um, seis em nível dois e quatro estruturas em nível três, que é considerado o mais grave. Todas as barragens em nível máximo de atenção pertencem a Vale.

Segundo a Vale (confira documento da empresa aqui), a elevação de nível de suas barragens são resultado de uma implementação de uma processo adicional de segurança na análise das estruturas.

“Em janeiro deste ano foi implementada a função de Engenheiro de Registro (EoR), como etapa adicional de avaliação de suas estruturas no Brasil. O EoR tem entre suas atribuições a realização da inspeção de segurança regular, bem como a emissão de relatórios técnicos mensais, interpretando continuamente os resultados das atividades de inspeção e monitoramento das estruturas”, afirma a empresa.

Ainda de acordo com a empresa, a adoção do processo é uma recomendação criada por um comitê extraordinário independente criado pela empresa para garantir a segurança das barragens.

“Dentro desse modelo de acompanhamento contínuo, e por sua vez mais rigoroso, caso seja constatada alteração na condição de segurança de alguma estrutura, uma nova Declaração de Estabilidade (DCE) poderá ser emitida em qualquer momento ao longo do ano. De fato, o foco do EoR é a gestão contínua de segurança das barragens e a DCE passa a ser consequência desse processo”, acrescenta.

Barragens em nível de segurança

Essas são as estruturas em nível de segurança em Minas, segundo dados divulgados pela Defesa Civil de Minas Gerais.

Níveis do Departamento Nacional de Produção Mineral

I. Nível 1 – Quando detectada anomalia que resulte na pontuação máxima de 10 (dez) pontos em qualquer coluna do Quadro 3 – Matriz de Classificação Quanto à Categoria de Risco (1.2 – Estado de Conservação), do Anexo V, ou seja, quando iniciada uma ISE e para qualquer outra situação com potencial comprometimento de segurança da estrutura;

II. Nível 2 – Quando o resultado das ações adotadas na anomalia referida no inciso I for classificado como “não controlado”, de acordo com a definição do § 1º do art. 27 desta Portaria; ou

III. Nível 3 – A ruptura é iminente ou está ocorrendo.

Foto: Reprodução/StreetView
Fonte BHAZ