Delivery é melhor opção que a ida às ruas, mas especialistas recomendam atenção com fornecedores e higienização dos produtos que vêm de fora

O dia a dia do isolamento para quem pode ficar em casa, evitando a disseminação do coronavírus, é repleto de dilemas: se acabou a comida e não dá para cozinhar em casa, é seguro pedir que um restaurante entregue? É melhor ir ao mercado, à padaria e à farmácia ou encomendar os itens que faltam? Como minimizar os riscos do delivery? E o que fazer se, mesmo diante da consciência de se suspenderem obras e serviços não essenciais no momento de pandemia, não der para esperar aquele reparo na parte elétrica ou hidráulica e outros ajustes emergenciais?

Para especialistas de plantão, as ordens do dia nesse contato inevitável com o mundo externo são manter a tranquilidade, ajustar o ideal à realidade possível, ter boas práticas de comportamento para garantir a própria segurança e, sobretudo, usar o bom senso:

— É importante trabalhar com o conceito de risco versus benefício. Em geral, em casos como os de obras urgentes, por exemplo, o risco potencial de contato com o coronavírus é bem menor do que o benefício alcançado com o serviço prestado — explica o médico infectologista Paulo Santos, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

O médico recomenda que se tenham, nesses casos, alguns cuidados preventivos básicos, como suspender a visita se o colaborador apresentar sintomas gripais e pedir que ele higienize as mãos logo ao chegar à sua casa. E solicitar o uso de máscara cirúrgica e limpar todo os cômodos pelos quais ele circulou, depois? Para Paulo Santos, é exagero.

Na linha do “mais segurança, menos desespero ou exagero”, algumas práticas podem ser incorporadas à rotina. Sim, o delivery é uma boa opção a sair e se expor nas ruas. Cuidando da limpeza frequente das mãos — não levando-as a olhos e boca —, mantendo a distância de mais de um metro dos colaboradores e certificando-se da seriedade do trabalho de fornecedores e prestadores de serviços, dá para seguir os próximos dias em segurança.

— É claro que não tem como visitar os lugares para ver como o alimento está sendo preparado, mas procurar empresas em que você confia e que tenha boas referência no mercado, neste momento, é importante — diz Cristiane Almeida, chefe do serviço de Nutrição do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz).

Há mais de dez anos trabalhando no instituto, Cristiane lida diariamente com a orientação de cuidados severos com os alimentos para se evitar infecções hospitalares. Tais “boas práticas”, dispostas na Resolução 216, de 2004, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), valem para restaurantes e outros provedores de serviços de alimentação, propondo atenção a condições higiênico-sanitárias desses serviços.

— No caso de alimentos, os riscos de contaminação e infecção se dão em todas as etapas, do preparo à entrega, por isso a atenção deve ser redobrada — afirma Cristiane. — Tudo isso que agora estamos reforçando para toda a população é o que sempre recomendamos a esses prestadores de serviços. Todo nutricionista é um pouco educador.

Dicas para se proteger ao receber encomendas ou serviços de colaboradores:

Busque empresas legalmente registradas, que você já conhece e com boas referências no mercado. Se o restaurante ou prestador de serviços está divulgando boas práticas neste momento, bom sinal.

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Organize as compras e reduza ao essencial o número de saídas, entregas e visitas de pessoas de fora. Programe-se para ter comida, remédios e artigos de primeira necessidade em casa, mas evite o exagero e o desperdício.

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Precisa que alguém monte o berço do seu filho que vai nascer? Estourou um cano e não pode aguardar para que o reparo seja feito? Não se desespere. Evitar obras e visitas no momento é o recomendado, mas algumas são emergenciais e necessárias. Use o bom senso e cuide para que elas se deem de forma segura.

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Se você morar em prédio e precisar fazer uma obra em sua unidade privativa, informe-se com o síndico do condomínio as regras a serem adotadas para uso do espaço em comum neste momento de pandemia. Cuide para que o prestador de serviço circule o mínimo possível por espaços coletivos e adote as medidas de higiene e outros cuidados para manter todos em segurança. 

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Se o prestador de serviço visitante estiver com sintomas gripais, não prossiga com a visita. Para pessoas sem sintomas, ofereça a higienização das mãos com água e sabão ou álcool em gel e permita o acesso. 

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Evite proximidade menor que um metro do colaborador.

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Tanto para compras como para contratação de serviços, dê preferência ao pagamento prévio, pelo aplicativo ou site. Se não houver esta possibilidade, pagar com cartão é melhor que em dinheiro.

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Ao receber produtos em casa, evite contato com o entregador. Se houver um local em que ele possa deixar as compras para que depois você pegue, melhor. Alguns aplicativos de entrega têm oferecido esta opção de distanciamento do cliente.

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Estudos apontam para risco mínimo de contaminação de superfícies como de correspondências e de jornais impressos, por seu papel poroso. Especialistas recomendam os mesmos cuidados do cotidiano, como lavar as mãos com água e sabão após a leitura do jornal.

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Lave frutas, legumes e verduras, pois você não sabe como eles foram manipulados. Lave-os, um a um, em água corrente e depois deixe-os de molho em uma solução de hipoclorito.

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Se você não tem certeza dos cuidados de seu preparo e manipulação por parte do fornecedor, evite pedir refeições com alimentos crus e mal cozidos. Não é para tirar saladas cruas do cardápio, mas se você não pode prepará-las em casa, é bom certificar-se de que houve atenção em sua elaboração.

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Em caso de delivery de refeições, higienize a embalagem externamente e a coloque sobre uma superfície limpa. Lave as mãos com água e sabão, tire o alimento de sua embalagem original e o coloque em outra, de casa. Descarte a embalagem original em um lixo bem lacrado e lave as mãos novamente, antes de se alimentar.

Fontes: Cristiane Almeida, chefe do Serviço de Nutrição do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), e Paulo Santos, médico infectologista

Fonte: O GLOBO