Fábrica e fornecedores estão com atividades paralisadas até 21 de abril no Brasil. Montadora não projeta ‘demissões significativas’ no setor automotivo (foto: Fiat/Divulgação)

Com atividades de suas unidades, bem como dos fornecedores, paralisadas até 21 de abril, a Fiat Crysler Automóveis (FCA) resolveu entrar de vez na luta contra a COVID-19. O grupo industrial ítalo-americano anunciou nesta terça-feira (31) medidas para fortalecer o combate à pandemia, como ajuda na instalação de hospitais de campanha em Betim, na Grande BH, e Goiana (PE), onde tem fábricas no Brasil. Além disso, cederá o uso de seu parque industrial para confeccão de material a ser doado a autoridades de saúde, incluindo ventiladores pulmonares; e doação e comodato de veículos para facilitar a logística das equipes.

Além dos esforços próprios, tem estimulado fornecedores e parceiros a se engajarem na ação coletiva para evitar que a crise se prolongue por muito tempo, pincipalmente dando suporte à amplicação da capacidade de atendimento médico-hospitalar nas diversas comunidades em que atuam.

“Organizamos o trabalho em três pilares. Primeiro: ajudar na realização e preparação de áreas hospitalares para o combate da COVID-19, que é uma coisa nova para todos e precisa de atenção específica. O segundo, utilizar nosso know-how, a espertise de nossos 1,5 mil engenheiros em Betim para produzir materiais tão necessarios nessa hora, como equipamentos de proteção individual (EPI) para profissionais da saúde, como os protetores faciais plásticos, que vamos doar para estados e municípios. Ao mesmo tempo, estamos em contato com fabricantes dos ventiladores pulmonares para ajudá-los, através de logística e planejamento industrial, a aumentar a produção. E também reparar os que estão com problemas, que somam 5% do total. Só em Minas Gerais são mais de 300. Designamos 18 engenheiros da Fiat para a manutenção de respiradores, o que o Senai tem coordenado muito bem. Então, nossa fábrica de Betim será usada para repará-los. Já o terceiro pilar é buscar o que podemos doar. Além de EPI, vamos fazer comodato de veículos para estados e prefeituras para facilitar a logística das equipes que vão salvar vidas. É o que queremos fazer a partir de hoje”, explicou Antonio Filosa, presidente da FCA para a América Latina.

No caso do hospital de campanha de Betim, ele está sendo erguido dentro do Clube da Fiat, unidade recreativa e esportiva da FCA localizada na cidade da Grande BH. Foram cedidos 1.500m2 à prefeitura e ao governo do estado para abrigar unidade para recepção, triagem e internação de pacientes da COVID-19. Com 200 leitos, o espaço responderá por mais de um terço das vagas criadas no município para atender os quadros resultantes da pandemia.

Filosa não estipula quanto a empresa investirá na iniciativa, até porque muitos custos ainda estão sendo levantados e há outras demandas que também poderão ser viabilizadas. “Nosso orçamento não está fechado, mas o certo é que temos viabilizado propostas que não fogem muito das nossas competências. Não sabemos, por exemplo, costurar, e pegar algo nesse sentido poderia se tornar mais um problema que uma solução” , explica.

Demissões em último caso

O industrial se mostra otimista quando analisa a crise. Porém, admite que não será possível sair dela sem sofrimento.

A expectativa é que seja possível terminar sem demissões significativas no setor.  “Desde dezembro essa pouco prazerosa novidade tem impactado todos os sitemas de cada país. É uma crise multissistêmica, pois começa na saúde, mas passa para a economia, educação, logística, transporte público. Então, é bem mais grave que só uma crise econômica. Mas sabemos que ela vai passar. Os chineses foram bastante eficazes em não deixar durar mais que dois meses. Hoje já voltaram com 93% da produção funcionando. Na Europa, claramente na Itália, onde conheço muito bem, as iniciativas começam a dar resultados, os contágios estão caindo nos últimos três dias. Então, esperamos um recuo depois de atingir o pico de saúde. Estados Unidos e Brasil entraram por último e agora estão em fase de aceleração de contágios e, infelizmente, mortes”, argumenta.

Só a FCA está deixando de produzir cerca de 3 mil carros por dia na América Latina, ou seja, serão 60 mil veículos a menos somente em abril, se o cronograma de reabertura no dia 21 for mantido. Isso, logicamente, impacta na tomada de decisões, além de mudar programação, como a de lançamento da nova Fiat Strada, que estava marcado para os próximos dias e que foi adiado.

Fonte: Estado de Minas