Queda na Selic a 3,75% ao ano derrubou, também, as taxas das linhas de financiamento imobiliário. Especialistas recomendam cautela

Com a queda da taxa básica de juros, a Selic, de 4,25% para 3,75% ao ano, alguns bancos reduziram as taxas de suas linhas de crédito pessoal e imobiliário, tornando o financiamento da casa própria bastante atrativo.

Mas, vale a pena aproveitar os juros baixos e assumir uma dívida tão alta e duradoura, no momento em que a economia entra em recessão por causa da pandemia do coronavírus?

A resposta dos especialistas ouvidos pelo R7 é não.

“O risco é muito grande. Não é o momento de fazer absolutamente nada. É hora de ficar parado em casa e se preocupar, apenas, com a sua saúde”, diz Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor-executivo da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

Oliveira destaca que, em períodos de recessão, muita gente fica sem emprego e uma decisão mal tomada pode refletir numa perda de recursos poupados por anos.

“Você não sabe se vai conseguir manter o emprego para pagar o financiamento. Se ficar desempregado, não terá recursos para honrar as parcelas e, além de perder o imóvel, ficará sem todo o dinheiro que pagou até aquele momento”, destaca.

Opinião semelhente tem o economista Ricardo Teixeira, coordenador do MBA em Gestão Financeira da FGV.

“Quando o Copom reduziu a Selic e os bancos começaram a baixar suas taxas, o cenário era propício para fazer o financiamento, já que o preço dos imóveis também estão bastante atrativos. Hoje, eu afirmo que é melhor não arriscar”, diz.

Teixeira ainda ressalta que esperar a situação econômica normalizar pode ser uma boa opção, inclusive, para conseguir melhores oportunidades de negócio.

“É provável que os imóveis tenham uma depreciação ainda maior e que aumente bastante as ofertas. Afinal, mais pessoas podem precisar vender seus imóveis por causa da crise”, afirma Teixeira.

Ambos os especialistas sugerem que os interessados em comprar um imóvel, que não estão com as negociações avançadas, parem de procurar.

“Por causa da quarentena, correr atrás da documentação e do banco também pode ser difícil. Fique em casa e aguarde as coisas se ajeitarem”, comenta Oliveira.

Confiras as taxas atuais dos bancos

Caixa – de 2,95% a 4,95% ao ano (com correção pelo IPCA); de 6,50% a 8,50% ao ano (com correção pela TR) e de 8% a 9,75% ao ano (com parcelas prefixadas);

Banco do Brasil – taxa a partir de 6,99% ao ano;

Itaú – taxa a partir de 7,45% ao ano + TR em todas as categorias, variando de acordo com o perfil do cliente e do imóvel;

Santander – taxa a partir de 7,99% ao ano; 

Bradesco – não divulgou

Fonte: R7

Foto: Raquel Cunha/Folhapress