Com quarentena, órgão suspendeu levantamento presencial e enfrenta dificuldade para que brasileiros colaborem por telefone

restrição de mobilidade por conta da pandemia do novo coronavírus fez com que o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) substituísse as coletas presenciais das pesquisas estatísticas por levantamentos feitos por telefone.

Desde a última semana, técnicos do instituto estão realizando a captação de dados das pesquisas conjunturais ligando de casa em casa. No entanto, o órgão vem enfrentando dificuldade para que a população atenda às ligações e responda aos questionários.

Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, a resposta aos questionários por meio do telefone é uma forma de contribuir com o país neste momento de mudanças profundas na economia. Os agentes irão se identificar que representam o instituto logo no início da ligação, a fim de evitar confusões com telemarketing.

Os questionários foram ajustados para facilitar o preenchimento por parte do entrevistado. Bastam cerca de 15 minutos para completar todo o material.

– Precisamos que a população atenda às ligações para que possamos ter a divulgação das informações de emprego e outros indicadores num momento que estamos diante de uma crise mundial. É uma informação fundamental para formuladores de políticas públicas e assessores econômicos – afirma.

As estatísticas do IBGE funcionam como um “termômetro da economia”. É por meio dos indicadores produzidos pelo instituto que tomadores de decisões saberão adotar políticas públicas para combater os efeitos do coronavírus na saúde e na atividade produtiva nacional.

A Pnad Contínua, por exemplo, é responsável por medir o desemprego e a renda no país. É por meio dela que sabemos que 46,8 milhões de pessoas poderão receber R$ 600 de auxílio de renda básica emergencial, o “coronavoucher”.

O INPC, indicador de inflação, é utilizado para reajustar o salário mínimo e como base nas negociações das empresas com os trabalhadores. O IPCA, outro índice de preços, mede se o preço dos produtos está pesando mais no seu bolso

Segundo Azeredo, algumas adaptações foram feitas no questionário da Pnad Contínua para agilizar o preenchimento. Como um mesmo domicílio participa cinco vezes da pesquisa, de modo intercalado, aqueles que já responderam poderão confirmar algumas informações, com base no histórico já coletado.

Outras pesquisas, como a de PMC (Comércio), PMS (Serviço) e PIM (Indústria) já eram feitas por telefone. Já os índices de inflação, como IPCA e INPC, estão sendo coletados por esse meio e também por buscas na internet.

– O núcleo básico da pesquisa não foi reduzido para que não perca a comparação com a série histórica. Os módulos estruturais foram reduzidos e algumas informações foram trazidas dos meses anteriores – explica.

Com as adaptações feitas, parte do questionário que costuma ser feito a cada visita no domicílio, como o módulo de educação, que seria feito no segundo semestre, foi suspenso temporariamente por conta das dificuldades operacionais.

Para evitar problemas na coleta, o IBGE também irá postergar a saída de campo na coleta para o mês de março, a fim de obter um aproveitamento maior da amostra coletada. O resultado para o mês de março, que vai trazer indicadores já com o impacto do coronavírus, está previsto para ser divulgado no dia 30 de abril.

Fonte: O Globo