Segundo José Henrique Germann, no intervalo de dez dias a curva de novos casos em São Paulo cresceu 467%, enquanto a do Brasil foi de 939%.

O secretário de Saúde do Estado de São Paulo, José Henrique Germann, afirmou nesta sexta-feira (27) que a estratégia de isolamento social adotada pelo governo paulista contra o coronavírus está dando resultados. O Instituto Butantan calculou que a taxa de transmissão do vírus no estado caiu nos últimos dez dias de um indivíduo infectando seis outras pessoas, para um contaminado transmitindo a doença para outras duas pessoas. (veja abaixo)

Segundo Germann, através dos números já é possível perceber uma subida menos acentuada da curva de novos casos de covid-19 registrados no estado, em comparação os números do País.

“Nós começamos a contagem pelo caso 100, não pelo caso zero. Mas para vocês terem uma ideia, em 15 e 16 de março, que foi quando teve o caso 100, eram 116 casos confirmados no estado. Chegamos em SP no dia 25 de março com 862 [casos confirmados]. Um crescimento de 467%. E no mesmo período para o Brasil o crescimento foi de 939%”, declarou o secretário.

De acordo com José Henrique Germann, os números significam que a estratégia de isolamento social contra a Covid-19 já está mostrando resultados.

“Nós temos observado que o crescimento da curva de São Paulo tem uma incidência menor, ou uma taxa de crescimento menor, do que a curva do Brasil. O que quero dizer com isso é que as medidas que foram tomadas pelo governo do estado, o distanciamento social que estamos promovendo, esses dados significam, mostram, que nós estamos no caminho certo”, disse o secretário.

Queda da taxa de transmissão do vírus

O baixo crescimento da curva de novos casos de São Paulo foi confirmado também por um levantamento divulgado nesta sexta-feira (27) pelo Instituto Butantan, em parceria com Centro de Contingência do governo do estado.

Segundo o estudo, após as medidas de distanciamento social adotadas pelo governo do estado de São Paulo e pela prefeitura da capital, entre os dias 15 e 16 de março, a taxa de contágio do novo coronavírus no estado caiu de quase seis pessoas infectadas por indivíduo para duas pessoas.

Ou seja, uma pessoa infectada transmitia o coronavírus para outras seis entre os dias 15 e 16. Cinco dias depois, em 20 de março, esse número caiu para 1 pessoa transmitindo o vírus para 3 outros indivíduos. Agora, dez dias depois, em 25 de março, essa taxa de transmissão é de uma pessoa contaminada transmitindo para outras duas pessoas.

“Nós estamos presenciando uma queda que é resultado do afastamento social feito pelo governo de São Paulo e pela prefeitura”, afirmou o diretor do Instituto Butantã, Dimas Covas.

Pacientes graves em SP

Apesar dos números favoráveis, o secretário estadual da Saúde disse na tarde desta quinta-feira (26) que os casos de pacientes graves internados em Unidades de Terapia Intensiva (UTI) após serem infectados pela Covid-19 aumentaram 42% em 24 horas no estado de São Paulo.

“Os pacientes graves internados em UTI são agora 84. Neste último dia houve um acréscimo de 42%. Isso é mais ou menos característico da epidemia, ela tem dias de mais acréscimo e dias de menos acréscimo. Mas ela vem crescendo, o que mostra talvez para nós que as medidas de restrição de mobilidade estão sendo suficientes ou, pelo menos colaborando de forma bastante efetiva, para que a gente tenha 862 casos”, afirmou Germann.

De acordo com ele, esse crescimento de mortos e pacientes graves é característico de uma epidemia. “Nós éramos praticamente 90% dos casos do Brasil e agora nós somos 30% dos casos do Brasil. O que significa que existe uma expansão da epidemia de forma acelerada”, disse.

Representantes do comitê estadual de combate ao novo coronavírus em São Paulo afirmam que as medidas de restrição de circulação adotadas nas últimas semanas foram eficazes e ajudaram a conter a curva de crescimento de casos confirmados no estado. Segundo Helena Sato, médica que coordena o comitê, “muito provavelmente haveria um número muito maior [de casos] se as nossas famílias não estivessem em casa.”

O estado de São Paulo adota estratégias de restrição de circulação contra o coronavírus desde 16 de março. Em pronunciamento na terça-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro criticou medidas de isolamento adotadas por estados e municípios. Na quarta-feira (25), Bolsonaro discutiu com o governador de São Paulo, João Doria.

68 mortes em SP

Subiu para 68 o número de mortes pelo novo coronavírus no estado de São Paulo, segundo balanço da Secretaria de Saúde de São Paulo divulgado nesta sexta-feira (27). Em cinco dias, o número de óbitos cresceu 209%. No último domingo (22), o estado registrava 22 mortes.

O estado possui ainda 1.223 casos confirmados, aumento de 14% em relação ao dia anterior, quando o estado tinha 1.052 casos de quinta-feira (26).

Em todo o Brasil, são 92 mortes contabilizadas pelo Ministério da Saúde e 3.417 casos confirmados do novo vírus em território nacional.

O número de pessoas infectadas por coronavírus com idades de 20 a 39 anos em São Paulo representa metade de todos os casos confirmados no estado até quinta-feira (26), de acordo com um balanço do governo do estado.

O estado de São Paulo somava ao menos 1.052 casos confirmados da doença até quinta-feira (26). Deste total, 516 possui entre 20 e 39 anos, o equivalente a 49,1% das pessoas doentes.

Chama a atenção que a faixa considerada de risco, idosos com 60 anos ou mais, concentra 215 casos confirmados de Covid-19, ou seja, 20,4% do total em São Paulo.

A segunda faixa etária mais afetada entre os paulistas possui entre 40 e 59 anos, e representa 283 casos ou 26,9%. O estado possui ainda 19 jovens entre 10 e 19 anos, e três casos entre crianças de 0 a 9 anos que testaram positivo para o coronavírus.

Fonte: Por G1 SP