Empresários fizeram carreatas e manifestações na manhã desta sexta-feira questionando impactos na economia se toda a população mantiver o isolamento social para evitar a COVID-19. Em Minas, 28 mortes são investigadas

Fonte: Estado de Minas / Por Leandro Couri

Apesar da recomendação do isolamento social para evitar a transmissão do coronavírus durante a pandemia da COVID-19, comerciantes de Belo Horizonte e da região metropolitana se reuniaram para pedir a reabertura de estabelecimentos comerciais. As manifestações foram realizadas na manhã desta sexta-feira. 

Uma das maiores concentrações ocorreu na Cidade Administrativa, na Região de Venda Nova, em Belo Horizonte. A carreata saiu de lá em direção à sede da prefeitura da capital, na Avenida Afonso Pena, no Centro. Antes, os manifestantes falaram de suas motivações e o roteiro do protesto. 

Entre eles havia crianças e idosos, muitos usando camisas e acessórios com a bandeira do Brasil ou de apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e ao partido que ele tenta formar, o Aliança pelo Brasil. Alguns usavam máscaras. Nesta semana, após declarações do presidente contra as restrições da quarentena, o governo federal lançou uma peça publicitária pedindo a retomada do funcionamento de todos os serviçosA campanha é semelhante à adotada em Milão, na Itália, em fevereiro. Atualmente, a região contabiliza 4 mil mortos e o prefeito da cidade veio a público comentar a ação, que classificou como um erro.

“Há empresas que não têm caixa para poder segurar essa situação. E 40% da população é autônoma. Então, como esse povo vai ficar dentro de casa? O cabeleireiro, a manicure, o pedreiro, as pessoas do dia a dia que usam a diária para poder comprar a janta? A gente não pode admitir isso”, disse uma manifestante ao microfone diante do grupo. Em seguida, ela passou a palavra a outro empresário.

Carreata seguiu até a Prefeitura de Belo Horizonte, no Centro
(foto: Leandro Couri/EM/DA Press)

“Eu sei o que passei para ter a minha empresa para agora um ‘viruzinho’ jogar ela por água abaixo? Estou com 40 funcionários em casa, parados querendo trabalhar porque sabem que vão ser demitidos, isso é fato, e temos que obedecer a ordem do governador e do prefeito”, afirmou o empresário, que detalhou o itinerário do protesto, que seguiu pela Avenida Antônio Carlos até a Afonso Pena. “Todos vamos desembarcar do carro e nós vamos aglomerar na porta da prefeitura, na escadaria. Isso foi alinhado ali com a Polícia Militar para a gente não complicar o trânsito na avenida Afonso Pena”, explicou.

Alguns manifestantes usaram máscara
(foto: Leandro Couri/EM/DA Press)


A partir do momento em que foi detectada a transmissão comunitária da síndrome respiratória no país, prefeitos e governadores têm baixado decretos permitindo a abertura apenas de serviços essenciais, como supermercados e farmácias, para evitar aglomerações e reduzir o risco da transmissão da doença. Nos locais em que o funcionamento é permitido, a orientação é para que sejam tomadas as medidas de higienização para garantir a saúde de funcionários e clientes, como uso do álcool gel, e distanciamento de 2 metros entre as pessoas. 

Betim

Também hove protesto em Betim, na região metropolitana. Pelo menos 25 veículos saíram em carreata pelo centro da cidade até a prefeitura. “Não estamos contra o prefeito, nem contra governo nenhum. Somos empresários em Betim e queremos trabalhar. Há muitos autônomos, para alguns falta até alimentação. Ontem à noite mobilizamos nas redes sociais e apareceram as pessoas”, detalhou Míriam Dias, uma das organizadoras do protesto.

Míriam é de uma empresa que trabalha com alinhamento e balanceamento de carretas. Segundo ela, no momento são três pessoas atuando, mas tomando os cuidados de distanciamento e uso do álcool em gel. O estabelecimento dela não precisou ser fechado, mas ela disse ter ficado sensibilizada pela situação de outros colegas. “O que eles estão falando é que querem trabalhar e tem um decreto na cidade para que as lojas não sejam abertas. Ainda que tenham um número maior de funcionáriso, vão fazer um  rodízio deles e prevenção nas portas das lojas, mantendo a distância. Eles estão cientes do caso, cientes do vírus que está no Brasil, mas querem trabalhar”, afirma.

Questionada a respeito da visão dos empresários diante da previsão de que os casos aumentem nos próximos dias, a organizadora da manifestação disse que eles têm receio, mas temem outros cenários. “A gente fica temeroso sim, mas se tudo parar como nós vamos fazer? Ou morremos do vírus ou morremos de fome. Fora o colapso financeiro que vai ter, os idosos e crianças devem ficar em casa, mas tem idosos que precisam receber, não podem ir às casas lotéricas, tem dinheiro no banco e não podem receber”, analisa. “O pico maior que a gente vai passar, e torcemos para que não aconteça, é a dengue, a gripe. O que devemos fazer é olhar para a frente, tem coisa que mata mais do que o coronavírus”, conclui.

Também houve protestos com a mesma reivindicação em outras partes do país. Segundo o balanço da Secretaria de Estado de Saúde de Minas, divulgado nesta sexta-feira, o estado já tem 189 casos de coronavírus investigados e já investiga 28 mortes. (Com informações de Leandro Couri)

O que é o coronavírus?

Coronavírus são uma grande família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto em dezembro de 2019, na China. A doença pode causar infecções com sintomas inicialmente semelhantes aos resfriados ou gripes leves, mas com risco de se agravarem, podendo resultar em morte.

Como a COVID-19 é transmitida?

A transmissão dos coronavírus costuma ocorrer pelo ar ou por contato pessoal com secreções contaminadas, como gotículas de saliva, espirro, tosse, catarro, contato pessoal próximo, como toque ou aperto de mão, contato com objetos ou superfícies contaminadas, seguido de contato com a boca, nariz ou olhos.

Como se prevenir?

A recomendação é evitar aglomerações, ficar longe de quem apresenta sintomas de infecção respiratória, lavar as mãos com frequência, tossir com o antebraço em frente à boca e frequentemente fazer o uso de água e sabão para lavar as mãos ou álcool em gel após ter contato com superfícies e pessoas. Em casa, tome cuidados extras contra a COVID-19.

Quais os sintomas do coronavírus?

Confira os principais sintomas das pessoas infectadas pela COVID-19:

  • Febre
  • Tosse
  • Falta de ar e dificuldade para respirar
  • Problemas gástricos
  • Diarreia

Em casos graves, as vítimas apresentam:

  • Pneumonia
  • Síndrome respiratória aguda severa
  • Insuficiência renal

Mitos e verdades sobre o vírus

Nas redes sociais, a propagação da COVID-19 espalhou também boatos sobre como o coronavírus é transmitido. E outras dúvidas foram surgindo: O álcool em gel é capaz de matar o vírus? O coronavírus é letal em um nível preocupante? Uma pessoa infectada pode contaminar várias outras? A epidemia vai matar milhares de brasileiros, pois o SUS não teria condições de atender a todos? Fizemos uma reportagem com um médico especialista em infectologia e ele explica todos os mitos e verdades sobre o coronavírus.

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