Organizações afirmaram que discurso do presidente é um risco no combate à doença, que tem mais de 2 mil casos no Brasil e é causada pelo novo coronavírus (Foto: reprodução internet)

Entidades de médicos, de outros profissionais de saúde e de cientistas condenaram o pronunciamento, na noite desta terça-feira (24), do presidente Jair Bolsonaro sobre a Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

Na fala, veiculada em rede nacional, o presidente chamou a doença de “resfriadinho”, contrariou especialistas e pediu o fim do “confinamento em massa”. Ele também fez um apelo pela “volta à normalidade” e culpou a imprensa por “espalhar pavor”.

O Conselho Nacional de Saúde considerou que o pronunciamento do presidente “coloca em risco a vida de milhares de pessoas” e que é “uma afronta grave à Saúde e à vida da população. Sua fala prejudica todo o esforço nacional para que o Sistema Único de Saúde (SUS) não entre em colapso diante do cenário emergencial que vivemos na atualidade”, avaliou a entidade.

A Sociedade Brasileira de Infectologia se disse preocupada com a fala de Bolsonaro, e considerou que as declarações podem dar a falsa impressão de que as medidas de contenção social são inadequadas. Os infectologistas classificaram a pandemia como “grave”, e disseram que é temerário associar que as cerca de 800 mortes por dia causadas pela doença na Itália, a maioria entre idosos, esteja relacionada apenas ao clima frio do inverno europeu.

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva considerou “intolerável e irresponsável” o que chamou de “discurso da morte” do presidente Jair Bolsonaro. A entidade afirmou que, em sua fala, que classificou como “incoerente e criminosa”, o presidente “nega o conjunto de evidências científicas que vem pautando o combate à pandemia da COVID-19 em todo o mundo, desvalorizando o trabalho sério e dedicado de toda uma rede nacional e mundial de cientistas e desenvolvedores de tecnologias em saúde.”

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia disse que qualquer medida que abrande o isolamento da população será “extremante prejudicial” para o combate à Covid-19.

Associação Paulista de Medicina afirmou que, “se a intenção foi acalmar, a reação da sociedade mostra que ele [Bolsonaro] não alcançou seus objetivos. Você não traz esperança minimizando o problema, mas reforçando as soluções. Existe um perigo próximo, evidente, real e gravíssimo. Enfrentá-lo é prioritário.”

Associação Brasileira de Climatério afirmou que, apesar dos impactos socioeconômicos, “até o momento, o afastamento social está entre as medidas mais eficientes no combate à propagação do COVID-19, de acordo, inclusive, com autoridades de saúde internacionais”. A entidade reúne médicos dedicados à assistência da mulher em transição – chamada de climatério – entre o período fértil e o não fértil.

A Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo disse, em nota, que “vê com extrema preocupação” o pronunciamento de Bolsonaro. “O isolamento é uma das medidas mais eficientes para combater a propagação de COVID-19 até o presente momento. Desta forma, a SOGESP reitera a importância de se seguir as determinações das autoridades de saúde, no sentido de se evitar ao máximo os contatos sociais”, pediu a entidade.

Sociedade Brasileira de Mastologia também viu “com preocupação” as declarações do presidente, afirmando que elas vão “na contramão de todas as orientações passadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas em infectologia, que recomendam o isolamento social como forma de conter a disseminação do novo vírus”. A entidade afirmou que “continuará recomendando a toda população brasileira, inclusive as mulheres acometidas neste momento pelo câncer de mama e em tratamento como sessões de quimioterapia e radioterapia, para que fiquem em confinamento domiciliar”.

Em comunicado conjunto, a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, a Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea e a Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica pediram que “todos aqueles que podem manter-se em isolamento devem fazê-lo”, pois estão, dessa forma, protegendo a vida de pacientes que têm o sistema imune comprometido – como aqueles que aguardam ou passaram por um transplante de medula óssea ou, ainda, aqueles em tratamento para câncer.

Associação Médica Brasileira elogiou a atuação do Ministério da Saúde no combate à pandemia, e frisou que “constitui erro capital, nas crises, sustentar opiniões ou posições que perderam a validade em decorrência da evolução dos fatos”.

Em vídeo, o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica, Alexandre Ferreira Oliveira,também apoiou as medidas adotadas pelo Ministério da Saúde e disse que a entidade é favorável “ao isolamento responsável das pessoas” e à “não interrupção dos tratamentos oncológicos em prejuízo aos pacientes”. Oliveira concluiu dizendo que “dentro disso tudo, é muito importante a proteção às equipes de linhas de frente que estão atendendo esses pacientes. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica apoia qualquer medida de preservação à vida.”

Também em vídeo, o presidente do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo, Marcos Machado, se disse “perplexo e preocupado” com o pronunciamento de Bolsonaro. “O discurso é carregado de política, e sem nenhuma preocupação com a prevenção sobre o coronavírus”, afirmou, antes de elogiar o trabalho do Ministério da Saúde. “É inaceitável, neste instante, que venha a maior liderança do país dizer à população que não se preocupe com as orientações do Ministério da Saúde”, disse.

Sociedade Brasileira de Imunizações também chamou de “temerário” o discurso proferido por Bolsonaro. “Ao pregar o fim do isolamento social como estratégia de resposta à pandemia de COVID-19, o presidente contraria todas as evidências científicas. Vai de encontro, também, às próprias orientações do Ministério da Saúde, que vem trabalhando de forma correta e árdua diante desse grande desafio”, afirmou a entidade em nota.

Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia reiterou a importância do isolamento para combater a disseminação do vírus. “As orientações e cuidados a serem tomados diante da pandemia do novo coronavírus são aquelas emanadas pelo Ministério da Saúde”, afirmou a entidade. “Dessa forma, por mais respeito que tenhamos pela figura do chefe do Executivo, o cerne do combate à pandemia é e continuará sendo a tentativa desesperada de se evitar o crescimento exponencial da doença”.

O presidente do departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Marco Aurelio Palazzi Safadi, enfatizou, em vídeo, a importância das medidas restritivas, principalmente nas principais metrópoles brasileiras, Rio de Janeiro e São Paulo. “O objetivo dessas medidas é evitar o colapso na assistência da saúde, que claramente trará impacto muito negativo na assistência à nossa população”, avaliou.

Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência disse, em nota, que seus integrantes assistiram “estarrecidos” ao pronunciamento de Bolsonaro, e que a fala “significou um desserviço às ações consequentes de enfrentamento do coronavírus que estão sendo sugeridas e implementadas pelo próprio Ministério da Saúde e suas instituições, por governadores e outros gestores, e pelos órgãos de saúde pública e por seus profissionais”.

O presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, Flávio Sano, enfatizou, em vídeo, a necessidade de apoio às recomendações da OMS e do Ministério da Saúde, e pediu que fossem mantidos o isolamento e a quarentena. “Como medida comprovadamente útil na redução dos casos que estão previstos para o mês de abril do coronavírus. Aos nossos pacientes asmáticos, alérgicos e imunodeficientes recomendo que não interrompam o tratamento”, lembrou.

Os membros da Associação de Medicina Intensiva Brasileira afirmaram, em nota, terem assistido “com bastante preocupação” o pronunciamento do presidente. “Para nós, não é possível fechar os olhos para a gravidade da pandemia COVID 19”, disse a entidade. “Proteger idosos e demais grupos de risco sem isolamento social, em especial, nos meios mais carentes de nosso país, não é uma alternativa factível”.

O presidente do Conselho Federal de Farmácia, Walter da Silva Jorge João, disse, em nota, que o conselho “se alinha às organizações de saúde mundiais e brasileiras, reiterando à sociedade a necessidade inquestionável do isolamento social, neste momento de crescimento dos casos, uma estratégia baseada em evidências muito importante de combate à COVID-19.”

A presidente da Associação Brasileira de Estomaterapia, Maria Ângela Boccaria de Paula, afirmou, em nota, que “acredita que a sociedade não deve tomar como exemplo opiniões individuais que possam levar a população a achar que a Covid-19 não é uma doença séria”. “Não podemos correr o risco de viver com base em opiniões generalizadas anunciadas como fatos. Para assumir a responsabilidade é preciso pensar, cuidadosamente, toda e qualquer ação.”

A direção da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia disse, em nota, que “se coloca contra a fala disseminada na noite do último 24 de março, pelo presidente do Brasil”. “Entendemos que se faz necessário todos seguirem apenas um único direcionamento. Então, é de extrema importância que todas as instâncias do governo estejam alinhadas em suas comunicações.”

O presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, disse que “afirma a importância de políticas públicas baseadas na evidência científica, visando controlar a magnitude da epidemia COVID-19 e reduzir o sofrimento da população.”

Veja, abaixo, as íntegras dos posicionamentos divulgados pelas organizações:

Conselho Nacional de Saúde

“O Conselho Nacional de Saúde (CNS), frente à pandemia do Novo Coronavírus (Covid-19), enfrentada por diversos países no mundo, considera o pronunciamento, nesta terça (24/03), do presidente da república, Jair Messias Bolsonaro, uma afronta grave à Saúde e à vida da população. Sua fala prejudica todo o esforço nacional para que o Sistema Único de Saúde (SUS) não entre em colapso diante do cenário emergencial que vivemos na atualidade. Cabe ao Estado garantir medidas de Saúde e proteção como já sinalizamos em nossa Carta Aberta às Autoridades Brasileiras.

Contrariando todas as evidências técnicas e científicas de instituições como Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), Organização Mundial da Saúde (OMS), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), universidades brasileiras e o próprio Ministério da Saúde (MS), por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), consideramos sua fala pública de completa irresponsabilidade, podendo causar prejuízos aos cidadãos e cidadãs no Brasil como o aumento da transmissão comunitária e até mesmo do número de mortes.

Neste momento, a principal recomendação das autoridades sanitárias, legalmente com competência e conhecimento para lidar com o cenário crítico, é o isolamento ao maior número de pessoas, com atenção especial aos idosos. Nesse contexto, as falas de Bolsonaro negam e desrespeitam o trabalho que vem sendo desenvolvido por inúmeros profissionais da Saúde em todo o país, além de contrariar as ações que vêm sendo geridas pelo Ministro da Saúde.

A paralisação de diversos serviços vai gerar um impacto negativo na economia, porém a economia se recupera se as vidas estiverem preservadas. Números não valem mais que vidas. Antes um país com potencial de retomada na economia após uma crise, que centenas ou milhares de pessoas mortas devido à irresponsabilidade de falas, posturas, posicionamentos e atitudes insensatas que atentam contra o bem estar social. A postura do presidente é criminosa, nesse sentido, fazemos um apelo à população: fique em casa e não acredite em fake news contra as orientações do MS.

Por isso, consideramos fundamental que os poderes Legislativo e Judiciário, subsidiados pelos fatos e pelo clamor social, tomem as providências cabíveis diante de um discurso genocida, que confunde a população e pode colocar em risco a vida de milhares de pessoas no nosso país. É necessário que haja união de todas as autoridades, independentemente de disputas partidárias, e confiança nas evidências científicas para que possamos superar esta crise. A vida não pode esperar, o SUS é capaz de salvar-nos desse contexto. Mas precisamos de financiamento adequado e do compromisso de todos e todas no país. O CNS está ao lado da população.”

Sociedade Brasileira de Infectologia

“Neste difícil momento da pandemia de COVID-19 em todo o mundo e no Brasil, trouxe-nos preocupação o pronunciamento oficial do Presidente da República Jair Bolsonaro, ao ser contra o fechamento de escolas e ao se referir a essa nova doença infecciosa como “um resfriadinho”.

Tais mensagens podem dar a falsa impressão à população que as medidas de contenção social são inadequadas e que a COVID-19 é semelhante ao resfriado comum, esta sim uma doença com baixa letalidade. É também temerário dizer que as cerca de 800 mortes diárias que estão ocorrendo na Itália, realmente a maioria entre idosos, seja relacionada apenas ao clima frio do inverno europeu. A pandemia é grave, pois até hoje já foram registrados mais de 420 mil casos confirmados no mundo e quase 19 mil óbitos, sendo 46 no Brasil.

O Brasil está numa curva crescente de casos, com transmissão comunitária do vírus e o número de infectados está dobrando a cada três dias.

Concordamos com o Presidente quando elogia o trabalho do Ministro da Saúde, Dr. Luiz Henrique Mandetta, e sua equipe, cujas ações têm sido de grande gestor na mais grave epidemia que o Brasil já enfrentou em sua história recente. Desde o início da epidemia, o Ministério da Saúde e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estão trabalhando em conjunto com várias sociedades médicas científicas, em especial com a Sociedade Brasileira de Infectologia, com várias reuniões presenciais, teleconferências e trocas de informações quase que diariamente.

Também concordamos que devemos ter enorme preocupação com o impacto socioeconômico desta pandemia e a preocupação com os empregos e sustento das famílias. Entretanto, do ponto de vista científico-epidemiológico, o distanciamento social é fundamental para conter a disseminação do novo coronavírus, quando ele atinge a fase de transmissão comunitária. Essa medida deve ser associada ao isolamento respiratório dos pacientes que apresentam a doença, ao uso de equipamentos de proteção individual (EPI) pelos profissionais de saúde e à higienização frequente das mãos por toda a população. As medidas de maior ou menor restrição social vão depender da evolução da epidemia no Brasil e, nas próximas semanas, poderemos ter diferentes medidas para regiões que apresentem fases distantes da sua disseminação.

Quando a COVID-19 chega à fase de franca disseminação comunitária, a maior restrição social, com fechamento do comércio e da indústria não essencial, além de não permitir aglomerações humanas, se impõe. Por isso, ela está sendo tomada em países europeus desenvolvidos e nos Estados Unidos da América.

Médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas e todos os demais profissionais de saúde estão trabalhando arduamente nos hospitais e unidades de saúde em todo o país. A epidemia é dinâmica, assim como devem ser as medidas para minimizar sua disseminação. “Ficar em casa” é a resposta mais adequada para a maioria das cidades brasileiras neste momento, principalmente as mais populosas.”

Associação Brasileira de Saúde Coletiva

“As entidades de saúde coletiva e da bioética consideram intolerável e irresponsável o “discurso da morte” feito pelo Presidente da República, na noite de 24 de março, em cadeia nacional de rádio e TV.

Nessa manifestação, incoerente e criminosa, o Sr. Jair Bolsonaro, no momento ocupante do principal cargo do Executivo Federal, nega o conjunto de evidências científicas que vem pautando o combate à pandemia da COVID-19 em todo o mundo, desvalorizando o trabalho sério e dedicado de toda uma rede nacional e mundial de cientistas e desenvolvedores de tecnologias em saúde. Nesse ato, desrespeita o excelente trabalho da imprensa e de numerosas redes de difusão de conhecimento, essenciais para o esclarecimento geral sobre a COVID-19, e desmobiliza a população a dar seguimento às medidas fundamentais de contenção para evitar mortes. Medidas estas cruciais encaminhadas com muito esforço pelas autoridades municipais e estaduais, implementadas por técnicos e profissionais do SUS, os quais vêm expondo suas vidas para salvar pessoas. Além disso, comete o crime de “infração de medida sanitária preventiva”, a ser enquadrado no Art. 268 do Código Penal Brasileiro, ao desrespeitar “determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa”.

Nossas entidades representativas da comunidade brasileira de sanitaristas, epidemiologistas, planejadores e gestores de saúde, cientistas sociais e outros profissionais da área de saúde pública vêm a público denunciar os efeitos nocivos das posições do presidente da República sobre a grave situação epidemiológica que estamos vivendo. Seu pronunciamento perverso pode resultar em mais sofrimento e mortes na já tão sofrida população brasileira, particularmente entre os segmentos vulneráveis da sociedade.

As instituições da República precisam reagir e parar a irresponsabilidade do ocupante da cadeira de presidente antes que o caos se torne irreversível.

Assinam esta nota as seguintes entidades:

  • Associação Brasileira de Saúde Coletiva – ABRASCO
  • Centro Brasileiro de Estudos da Saúde – Cebes
  • Associação Brasileira de Economia da Saúde – ABrES
  • Associação Brasileira da Rede Unida
  • Associação Brasileira de Enfermagem – ABEn
  • Associação Paulista de Medicina – APM
  • Sociedade Brasileira de Bioética – SBB

Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia

Em nota, a entidade afirmou que “a SBGG tem um comprometimento sério e humano com a população e endossa a manutenção de todas as medidas tomadas até este momento. Para a SBGG qualquer medida que abrande o isolamento da população será extremante prejudicial para o combate ao Coronavírus, acarretando em maior número de infectados e morte. Salientamos que a maioria dos países adotam a mesma medida de contenção, apresentando sucesso.Seremos militantes do nosso posicionamento para o bem dos idosos e da população brasileira.”

Associação Paulista de Medicina

“Se a intenção foi acalmar, a reação da sociedade mostra que ele não alcançou seus objetivos. Você não traz esperança minimizando o problema, mas reforçando as soluções. Existe um perigo próximo, evidente, real e gravíssimo. Enfrentá-lo é prioritário. Todos nos preocupamos com o impacto do isolamento social na economia, particularmente o impacto da recessão sobre a saúde. Também isso não deve ser minimizado. Mas que não se deixe a preocupação com o futuro inviabilizar o presente.”

Associação Brasileira de Climatério

“A Associação Brasileira de Climatério – SOBRAC vem a público reiterar a importância de que as determinações de afastamento social temporário emanadas pelas autoridades de saúde sejam observadas fielmente.

Evidentemente sempre há preocupação com eventuais impactos socioeconômicos que tais medidas possam gerar. Contudo, até o momento, o afastamento social está entre as medidas mais eficientes no combate à propagação do COVID-19, de acordo, inclusive, com autoridades de saúde internacionais.

A SOBRAC se preocupa em especial, pois se dedica ao estudo de população que pode se enquadrar com maior frequência nos grupos de maior risco para a doença e, portanto, reitera a importância de observar todas as determinações de saúde de nossas autoridades.

Nas próximas semanas, talvez seja possível ter a real dimensão que tomará a pandemia no País. Somente então se poderá decidir por manter o afastamento social mais ou menos rigoroso.”

Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo

“Neste momento de incertezas e inseguranças que tomam conta das sociedades brasileira e mundial, a Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo – SOGESP vê com extrema preocupação o pronunciamento do senhor presidente Jair Bolsonaro, na noite de ontem, 24 de março.

Claro que sempre existe preocupação com eventuais impactos socioeconômicos do isolamento social, mas vidas humanas têm de ser prioridade sempre.

O isolamento é uma das medidas mais eficientes para combater a propagação de COVID-19 até o presente momento. Desta forma, a SOGESP reitera a importância de se seguir as determinações das autoridades de saúde, no sentido de se evitar ao máximo os contatos sociais.”

Sociedade Brasileira de Mastologia

“A Sociedade Brasileira de Mastologia monitora de perto o avanço da pandemia do coronavírus (COVID-19) no Brasil e no mundo. E por tratar diretamente de pacientes que podem compor o grupo de risco, recebe com preocupação o número de informações desencontradas, essencialmente as que vão na contramão de todas as orientações passadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e especialistas em infectologia, que recomendam o isolamento social como forma de conter a disseminação do novo vírus.

A SBM continuará recomendando a toda população brasileira, inclusive as mulheres acometidas neste momento pelo câncer de mama e em tratamento como sessões de quimioterapia e radioterapia, para que fiquem em confinamento domiciliar, evitando assim exposição pública e aglomerações. As exceções devem ser avaliadas caso a caso, conforme as orientações abaixo:

– Consultas ambulatoriais de rotina devem ser avaliadas e remarcadas.

– Consultas de seguimento de pacientes oncológicas de rotina que podem aguardar deverão ser avaliadas e remarcadas.

– Consultas para pacientes em investigação para câncer de mama devem ser mantidas seguindo as normas de higiene preconizadas.

– Procedimentos diagnósticos, cirúrgicos ou não, em pacientes com suspeita de câncer devem ser mantidos seguindo as normas de higiene preconizadas.

– Procedimentos cirúrgicos eletivos não oncológicos devem ser avaliados e postergados.

– Procedimentos cirúrgicos oncológicos devem ser mantidos.

A individualização dos casos deve ser sempre realizada pelo médico assistente.

De fato, o coronavírus tem demonstrado aqui e nos outros países o seu poder de letalidade e as mulheres com baixa imunidade, como é o caso das que estão em determinada fase do tratamento do câncer, devem redobrar o cuidado, mantendo-se em casa.

A Sociedade Brasileira de Mastologia está à disposição para tirar dúvidas, trocar experiências e reforça que está atenta a todos os acontecimentos para trazer as informações necessárias à prática médica, sempre com as melhores medidas e decisões para a nossa população.”

Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular, Sociedade Brasileira de Transplante de Medula Óssea e Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica

“Vimos por meio deste comunicado conjunto reforçar à população a importância de mantermos todas recomendações que têm sido indicadas como forma de combater o novo coronavírus.

Neste momento, reiteramos que todos aqueles que podem manter-se em isolamento devem fazê-lo, pois estão colaborando para proteger as vidas dos nossos idosos que temos em nosso País e, também, das crianças, jovens e adultos que neste momento estão em tratamento hematológico, oncológico e oncohematológico, bem como aquelas que aguardam por um transplante de medula óssea ou foram recentemente transplantadas.

Estes são pacientes que tem seu sistema imune comprometido, devido à sua condição de saúde, o que os torna mais suscetíveis às complicações da Covid-19, tanto quanto idosos, ou pessoas com doenças crônicas como diabetes, hipertensão e tantas outras.

Sem o isolamento, esta população estará em maior risco de sofrer os agravos que uma infecção pelo novo coronavírus pode lhes causar. Portanto, reiteramos que as medidas não devem ser flexibilizadas, para que possamos proteger a nossa população, seja qual for a idade.

Nós, da ABHH, SBTMO e SOBOPE, somos sociedades de especialidades médicas que lutam para promover educação, fomentar a produção científica e contribuir com o aperfeiçoamento da prática médica e de todos os profissionais que compõem as equipes multidisciplinares.

Por isso, à luz da ciência e também com base nas experiências de enfrentamento à Covid-19 que países como China e Itália – levando em conta erros e acertos, reiteramos veementemente para manter as orientações de isolamento.

Juntos, podemos passar por isso!”

Associação Médica Brasileira

“Crises são caracterizadas por constantes mudanças de cenário. De uma hora para a outra, as variáveis podem se modificar radicalmente, fazendo com que estratégias previamente traçadas possam, com grande volatilidade, se tornar ineficazes. Assim, constitui erro capital, nas crises, sustentar opiniões ou posições que perderam a validade em decorrência da evolução dos fatos. Por isso, o enfrentamento da situação com total transparência torna-se fundamental. É preciso que todos entendam o cenário, as mudanças que nele impactam e, por consequência, a busca de novas estratégias e ações.

Nesse sentido, o Ministério da Saúde, capitaneado por Luiz Henrique Mandetta, tem atuado de forma precisa e responsável. Os transparentes relatos com atualizações constantes sobre a pandemia da COVID-19 nos ajudam a entender o cenário atual, as perspectivas de soluções, e estimula nossa participação colaborativa.

O respeito com o qual o Ministério vem tratando os médicos e demais profissionais de saúde, bem como o empenho para resolver questões relevantes à classe, como a disponibilização de EPIs, aumento de respiradores, leitos de UTI, estratégias e logística para o enfrentamento desta pandemia encoraja ainda mais a categoria para avançar na linha de frente e cumprir seu papel, resguardando a segurança de todos e a assistência à população.

A incansável luta contra outra praga desta crise, as fakenews, também tem sido louvável. É necessária, uma vez que a propagação de notícias falsas e alarmistas pode criar danos enormes à saúde e ao bem-estar da população.

A hora é de união e colaboração e de apoio ao Ministro Mandetta e toda sua equipe ministerial. Precisamos estar atentos, alertas, críticos quando necessário, propositivos na segurança dos médicos e demais profissionais de saúde, mas sempre seremos colaborativos.”

Conselho Regional de Farmácia de São Paulo

Em vídeo, o presidente do Conselho Regional de Farmácia de São Paulo, Marcos Machado, disse estar “perplexo e preocupado” com a fala de Bolsonaro.

“O discurso é carregado de política, e sem nenhuma preocupação com a prevenção sobre o coronavírus”, afirmou, antes de elogiar o trabalho do Ministério da Saúde. “É inaceitável, neste instante, que venha a maior liderança do país dizer à população que não se preocupe com as orientações do Ministério da Saúde.

Toda a sua fala contraria o trabalho dos profissionais de saúde que estão à frente, nesse momento, orientando e tentando ajudar a população a sair dessa pandemia o mais rápido possível. Os farmacêuticos estão à frente desse processo, atendendo pacientes em suas farmácias, em seus ambulatórios, em seus ambientes de trabalho, muitas vezes sem condições de trabalho, mas todos estão lá, fazendo o possível. Portanto, é inaceitável, neste instante, que venha a maior liderança do país dizer à população que não se preocupem com as orientações do Ministério da Saúde. Não tem sentido isso – é preciso que nós tenhamos um discurso de construção – e não é o que nós vimos nesse momento. A mim e aos farmacêuticos isso preocupa demais. É uma situação grave que gostaríamos de ver corrigida o mais rápido possível.”

Sociedade Brasileira de Imunizações

“A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) considera temerário o discurso proferido pelo excelentíssimo presidente da república Jair Bolsonaro, na noite desta terça-feira, 24 de março, em rede nacional de rádio e televisão.

Ao pregar o fim do isolamento social como estratégia de resposta à pandemia de COVID-19, o presidente contraria todas as evidências científicas. Vai de encontro, também, às próprias orientações do Ministério da Saúde, que vem trabalhando de forma correta e árdua diante desse grande desafio.

Paralisar as atividades não essenciais é uma medida dura, mas necessária. Entidades acima de qualquer questionamento, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que, enquanto não dispormos de uma vacina, ou mesmo tratamento, trata-se da ação primária de maior impacto na interrupção da cadeia de transmissão do novo coronavírus (Sars-Cov-2), ao lado dos cuidados com higiene pessoal.

Incentivar os brasileiros que têm a possibilidade de permanecer em casa a voltarem às ruas pode ter consequências trágicas. Ademais, é um desrespeito com os profissionais de diversas categorias — como médicos, enfermeiros, policiais, bombeiros, motoristas, entregadores, funcionários de mercados e muitos outros — que se expõem diariamente ao risco, por exercerem funções que não podem ser interrompidas.

O fato de a doença se mostrar mais grave em pessoas em idade avançada não deve ser considerado atenuante, especialmente porque há hoje no Brasil, segundo estimativas do IBGE, mais de 20 milhões de pessoas com 65 anos ou mais.

Nossa visão é a de valorizar a vida de qualquer cidadão, acreditando que essa estratégia é essencial para minimizar o número de doentes e mortos.

O momento é de união. A saúde do brasileiro está acima de qualquer visão política.”

Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia

“A Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – SBOT, que se manifesta em nome de seus 18.000 médicos associados, vem reiterar perante a população brasileira que as orientações e cuidados a serem tomados diante da pandemia do novo coronavírus são aquelas emanadas pelo Ministério da Saúde.

Essas orientações, emanadas pelo ministro médico Luiz Henrique Mandetta, tem base científica e seguem a linha explicitada pela OMS.

Dessa forma, por mais respeito que tenhamos pela figura do chefe do Executivo, o cerne do combate à pandemia é e continuará sendo a tentativa desesperada de se evitar o crescimento exponencial da doença.

Manifestamos nosso total apoio e confiança em toda equipe do Ministério da Saúde, cuja normas, reafirmamos, são aquelas recomendadas com base cientifica-epidemiológica.

“Permanecer em casa” é a nossa orientação.

Continua valendo a recomendação de que toda a população e não só os idosos permaneçam em casa, que as escolas não tenham aulas e que os serviços não essenciais continuem sem operar, mesmo que isso represente um problema econômico grave. É preciso lembrar que mais importante que o dinheiro que deixa de ser ganho, é a vida que deve ser salva.”

Sociedade Brasileira de Pediatria

Em vídeo, o presidente do departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria, Marco Aurelio Palazzi Safadi, enfatizou a importância das medidas restritivas, principalmente nas principais metrópoles brasileiras, Rio de Janeiro e São Paulo.

“As evidências científicas são claras nesse sentido. Dessa forma, apoiamos a importância do cumprimento dessas medidas restritivas neste momento. É muito claro, da experiência de outros países, que elas vão ser norteadas, ou seja, a intensidade dessas medidas vão ser norteadas pela disponibilidade de leitos no nosso sistema de saúde. O objetivo dessas medidas é evitar o colapso na assistência da saúde, que claramente trará impacto muito negativo na assistência à nossa população.

Creio que esse seja um tempo de aprendizado. Assim como surgiu essa pandemia, a ciência antecipava que esse é um fenômeno que periodicamente pode vir a acontecer. Acho que isso deve servir de lição para que a gente tenha condição de se preparar adequadamente em todos os nossos serviços de saúde, para que em futuras situações nós não sejamos pegos de surpresa como fomos pegos nesse momento. Acho que esse é um momento de serenidade, de cumprimento às evidências científicas que, em situações como a que a gente tá vivenciando nessas cidades, elas devam ser cumpridas. Gostaríamos de enfatizar o nosso apoio à manutenção dessas medidas restritivas, particularmente em locais onde a gente está vivenciando uma situação exponencial de aumento de casos, o que antecipa um possível colapso no sistema de saúde.

Acho que é importante, também, salientar que, num primeiro momento, esta doença esteve mais concentrada nas populações que chegaram de viagem, em comunidades que são melhor assistidas do ponto de vista de condições socioeconômicas e assistência à saúde. E espera-se que, num segundo momento, a gente tenha a ampliação desses casos para as comunidades mais carentes do nosso país – em particular, das grandes metrópoles – que anteciparia de fato um colapso no sistema de saúde. Dessa forma, creio que esse é o momento crucial para que a gente tenha medidas oportunas, no momento certo, e as evidências científicas claramente nos apontam, nesse momento, que é importante a manutenção dessas medidas restritivas para contingenciamento do número de casos, e para não expor a nossa população nesses locais a um colapso do sistema de saúde.”

Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência

“Todos os setores da sociedade brasileira estão extremamente preocupados com a situação gravíssima da pandemia de COVID-19 em nosso País. Assistimos ontem estarrecidos ao pronunciamento do Presidente da República em direção contrária às recomendações do próprio Ministério da Saúde, de organizações de saúde internacionais, como a Organização Mundial da Saúde, de cientistas e de governos de todo o mundo. Em um momento crítico como este, esperávamos ouvir um pronunciamento do Chefe de Nação que trouxesse medidas efetivas para o enfrentamento da pandemia, orientações bem fundamentadas, escoradas na experiência de outros locais, no conhecimento científico acumulado e nas instituições e profissionais da saúde. E que fizesse uma conclamação à união de todos os setores da sociedade brasileira no enfrentamento da grave crise de saúde pública, social e econômica que vamos viver.

No entanto, o pronunciamento significou um desserviço às ações consequentes de enfrentamento do coronavírus que estão sendo sugeridas e implementadas pelo próprio Ministério da Saúde e suas instituições, por governadores e outros gestores, e pelos órgãos de saúde pública e por seus profissionais. São particularmente graves as afirmações que minimizam as consequências desta pandemia para a saúde dos brasileiros e a atitude contrária a medidas fundamentais para reduzir os efeitos trágicos que dela poderão advir. As declarações foram na direção oposta ao que os organismos nacionais e internacionais de saúde estão propondo e essa incoerência expõe também a falta de liderança e de coordenação dentro do governo para enfrentar essa crise sanitária no País.

Essa pandemia é muito grave, tendo já matado mais de 16.000 pessoas no mundo, e contaminado pelo menos 2.200 brasileiros, com 46 mortes até o momento. Ela tem um potencial gigantesco de atingir milhões de pessoas, como apontam estudos bem fundamentados, caso medidas drásticas – que têm sido propostas pelos órgãos de saúde pública e pela ciência em escala mundial – não sejam adotadas prontamente. Não se trata, de nenhum modo, de uma “gripezinha” ou de um “resfriadinho”. E, o que é mais grave, a pandemia está em crescimento muito acelerado no País e tem o potencial de atingir severamente um número muito grande de pessoas se não for controlada e mitigada adequadamente.

Os estudos e as análises da situação em vários países, em especial naqueles que tiveram um êxito relativo neste controle, têm mostrado que o isolamento social é uma medida fundamental para conter o crescimento muito acelerado do número de pessoas afetadas e para possibilitar que não ocorra um colapso no sistema de saúde. Medidas extremas de isolamento vêm sendo tomadas em muitos deles, além de outras ações, como testes em grande quantidade e confinamento quando necessário. Os brasileiros, em sua maioria, têm a percepção sobre a importância destas medidas duras, como apontam pesquisas recentes, e têm se esforçado para cumpri-las.

No Brasil temos a vantagem de ter um sistema de saúde pública amplo, o SUS, que pode, uma vez com recursos e condições adequadas, fazer frente a um desafio desta proporção. Mas certamente ele necessita de reforço muito grande. Os institutos de pesquisas, universidades e hospitais públicos estão engajados fortemente no processo de enfrentamento do coronavírus e necessitam igualmente de mais recursos humanos e materiais. A ciência brasileira já está contribuindo bastante e pode fazer muito mais; condições e recursos adequados devem lhe ser oferecidos. Os profissionais de saúde, que têm um papel crucial, precisam ser valorizados e protegidos com equipamentos de segurança, já que estão na linha de frente da batalha contra um vírus altamente contagioso.

As consequências econômicas decorrentes desta pandemia serão muito sérias e, por isto mesmo, governos de vários países já estão tomando medidas para apoiar as empresas, os trabalhadores e a população atingida. A grande parcela da população brasileira trabalhadora deve ter seus direitos resguardados e seus empregos e salários preservados neste período, e os que dependem do trabalho informal devem ter suas condições de vida adequadamente garantidas; e é importante que todos encontrem acolhimento no sistema público de saúde.

A busca por fármacos que possibilitem combater diretamente o vírus e seus efeitos é hoje realizada por cientistas em diversos países do mundo, inclusive no Brasil. Eles estão empenhados, dia e noite, em buscar soluções para controlar e eliminar os efeitos do coronavírus. Temos certeza que a ciência terá êxito. No entanto, este é um processo complexo, árduo e às vezes demorado, e a promessa de soluções rápidas, e sem os testes clínicos adequados, pode conduzir a expectativas e atitudes inadequadas e com sérias consequências.

Não é hora, tampouco, de se gerar embates políticos com interesses eleitorais, partidários ou econômicos estreitos, em particular com os governadores ou com o Congresso Nacional, ou adotar medidas que ameacem a democracia. É preciso que os gestores e órgãos públicos, os setores empresariais e os trabalhadores, os pesquisadores e professores, os profissionais de saúde, o Congresso e o STF, bem como os mais diversos segmentos da sociedade brasileira ajam em conjunto no enfrentamento desta pandemia. É fundamental que sejam adotadas as medidas que as organizações de saúde e a ciência têm proposto e que se atue de forma integrada, pronta e firme, em defesa da vida e da saúde dos brasileiros.

É preciso que os poderes constitucionais brasileiros assumam as suas responsabilidades e impeçam atitudes irresponsáveis, mesmo que da autoridade máxima da Nação, que colocam todo o país em risco. Esta conjuntura exige união da sociedade brasileira, lideranças firmes e responsáveis e que estejam à altura do momento, para se que se possa enfrentar com êxito uma pandemia que poderá trazer sérias consequências para o povo brasileiro.”

Associação de Medicina Intensiva Brasileira

“A pandemia de COVID-19 é uma realidade mundial com mais de 400 mil casos no mundo e quase 19 mil óbitos. No momento, o Brasil está em fase de franca ascensão no número de casos em todos os seus estados. A Associação de Medicina Intensiva Brasileira, que representa os profissionais intensivistas que estão na beira de leito na assistência dos casos graves de coronavírus, vem a público manifestar sua preocupação com relação à dificuldade de atendimento a esses pacientes.

Em nosso país, os leitos de UTI são insuficientes para a demanda de uma pandemia e, ainda mais preocupante, apresentam-se distribuídos de forma irregular, deixando grande parte da população nacional sem a menor chance de ter acesso à assistência devida. A única alternativa para EVITAR O COLAPSO DO SISTEMA HOSPITALAR, possibilitando a assistência para quem dela necessitar, é o ISOLAMENTO SOCIAL e esta é a nossa recomendação para este momento.

A sociedade civil tem cumprido seu papel de forma responsável. São inúmeras as doações e iniciativas privadas de produção caseira para ajudar no que é possível, bem como a adesão ao isolamento social, recomendado de forma responsável pelo Ministério da Saúde.

Os profissionais de saúde têm se apresentado de maneira destemida e emocionante, muitos saindo de suas residências, abandonando suas próprias famílias e se propondo a trabalhar extensas horas, sem as devidas condições de trabalho, colocando em risco a própria vida em prol de todos. Em grande parte, isso se deu pela credibilidade e ações responsáveis conduzidas pelo Ministério da Saúde e orientações do Conselho Federal de Medicina até agora.

Dessa forma, assistimos com bastante preocupação o pronunciamento do Presidente da República ontem.

Para nós, não é possível fechar os olhos para a gravidade da pandemia COVID 19, assim como, não é possível isolar apenas os pacientes classificados como grupo de risco e conseguir evitar o colapso do sistema de saúde. Proteger idosos e demais grupos de risco sem isolamento social, em especial, nos meios mais carentes de nosso país, não é uma alternativa factível. Além disso, é nosso dever informar que, uma grande parte de nossos leitos de UTI já está sendo consumido com esses pacientes e muitos deles têm idade inferior a 60 anos.

É inquestionável que se faz necessário medidas para evitar o colapso total da economia e essas medidas precisam ocorrer de forma responsável.

A AMIB, juntamente com outras Sociedades cientificas, certamente apoiarão as medidas dos governos no momento correto. Mas não é possível abandonar os mais vulneráveis e permitir que nossos profissionais de saúde conduzam sozinhos o colapso do sistema de saúde, pagando com suas próprias vidas. Não podemos colocar a vida de milhares de pessoas em risco, deixando-as entregues à própria sorte.

Evidências provenientes de análises de cientistas das áreas de ciências biológicas, econômicas, matemáticas e sociais deverão nos guiar, progressivamente, no caminho de volta às atividades normais. Para o momento, permanecemos com a recomendação clara e inequívoca: ISOLAMENTO SOCIAL.”

Conselho Federal de Farmácia

“O mundo atravessa uma situação excepcionalmente difícil frente à pandemia da infecção pelo novo coronavírus. Mais de 2,6 milhões de pessoas estão em confinamento e o Brasil restringiu drasticamente a circulação de pessoas. E ainda assim, já são mais de 2,2 mil casos confirmados no país e 46 mortes.

O Conselho Federal de Farmácia se alinha às organizações de saúde mundiais e brasileiras, reiterando à sociedade a necessidade inquestionável do isolamento social, neste momento de crescimento dos casos, uma estratégia baseada em evidências muito importante de combate à COVID-19.

Parabenizamos o Ministério da Saúde por se alinhar a essa conduta. Vivemos uma situação de guerra e, indubitavelmente os interesses econômicos não podem valer mais que a vida. A unidade, principalmente nas ações de saúde, precisa prevalecer para que tenhamos resultados.

Os farmacêuticos de todo o país estão na retaguarda e na linha de frente do combate, atuando desde a pesquisa da vacina e da cura até o cuidado à saúde das pessoas, assim como os demais profissionais da saúde e trabalhadores que estão empenhados na garantia do bem-estar, merecem da sociedade e do governo, toda a colaboração.

E nesse momento, para os cidadãos comuns, que não desempenham tarefas essenciais, essa contribuição é ficar em casa e adotar as medidas de prevenção. Vamos enfrentar esse momento da melhor forma, a uma distância segura uns dos outros, trabalhando, cada qual de sua maneira, até que possamos comemorar juntos o fim dessa pandemia!”

Associação Brasileira de Estomaterapia

“A SOBEST® – Associação Brasileira de Estomaterapia: estomias, feridas e incontinências reforça a importância do cumprimento das determinações de isolamento social da Organização Mundial da Saúde, amplamente divulgadas pelo Ministério da Saúde, baseada nas melhores práticas divulgadas na comunidade científica e na opinião de especialistas de todo o mundo.

A entidade acredita que a sociedade não deve tomar como exemplo opiniões individuais que possam levar a população a achar que a Covid-19 não é uma doença séria, causando grave comprometimento do sistema respiratório a um grupo de pacientes.

Infelizmente os casos de contaminação e morte pelo novo vírus estão em curva ascendente no Brasil e todos temos que assumir a responsabilidade social para conter a pandemia.

Não podemos correr o risco de viver com base em opiniões generalizadas anunciadas como fatos. Para assumir a responsabilidade é preciso pensar, cuidadosamente, toda e qualquer ação.

A SOBEST® reitera o irrestrito apoio aos profissionais de Saúde que estão na linha de frente do combate à doença e do atendimento aos pacientes, com a certeza de que, com colaboração, informação e Ciência, conseguiremos controlar essa situação adversa o mais breve possível e retomar as atividades.”

Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia

“Em nome dos milhares de pacientes em tratamento dos cânceres do sangue de todo o país, a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE) se coloca contra a fala disseminada na noite do último 24 de março, pelo presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro.

Nossos pacientes, assim como nossa equipe, continuarão a seguir todas as ordens de saúde que o Ministério da Saúde e governos estaduais vem transmitindo.

Pessoas em tratamento oncológico fazem parte do grupo de risco para a COVID-19, uma infecção respiratória séria e que pode ser fatal. Não podemos colocar vidas em risco e seguiremos em quarentena.

Nossos pacientes continuam sendo atendidos, mesmo que à distância. Dúvidas jurídicas diariamente são respondidas, atendimentos psicólogicos seguem mantidos, além dos diferentes canais de comunicações atualizados diariamente sobre os diversos temas da Onco-Hematologia, incluindo o coronavírus.

Entendemos que se faz necessário todos seguirem apenas um único direcionamento. Então, é de extrema importância que todas as instâncias do governo estejam alinhadas em suas comunicações.

Contamos com o apoio de nossos governantes para que, juntos, possamos sair mais fortalecidos dessa situação. E claro, com saúde.”

Academia Brasileira de Ciências

Neste momento de grave crise sanitária, econômica e social, a Academia Brasileira de Ciências vem afirmar a importância de políticas públicas baseadas na evidência científica, visando controlar a magnitude da epidemia COVID-19 e reduzir o sofrimento da população.

O primeiro caso de COVID-19 no mundo foi relatado na China no final de 2019. Em menos de três meses a doença se espalhou pelo mundo e virtualmente todos os países relatam casos dessa doença. Os números hoje (25/03/2020) são gigantescos, atingindo jovens e idosos, para uma doença que não existia há apenas três meses: 441 mil casos, mais de 19 mil mortes. Na Europa, atual foco da doença, sistemas de saúde estão sobrecarregados. Já nos Estados Unidos, casos aumentam exponencialmente e o sistema de saúde já começa a sentir os impactos da doença. Apenas em Nova York, são mais de 15 mil casos e 192 mortes (25/03/2020), com número em franca expansão. Nesse ritmo, espera-se um aumento de casos de 10 vezes a cada semana, se nenhuma atitude for tomada.

Graças à ciência, conhecemos o agente causador e como ele provavelmente entrou na cadeia de infecção entre seres humanos; sabemos como diagnosticar de forma precisa quem está infectado; conhecemos as formas de contágio e conhecemos estratégias que impedem a sua transmissão na população, que tiveram sucesso na Coreia do Sul, Japão, Singapura e Hong Kong. Sabemos como tratar clinicamente (através de suporte ventilatório), e isso vem se aprimorando nos últimos dias. Conhecemos também alguns experimentos in vitro, que são promissores para algumas drogas, como a cloroquina. Mas esse fármaco nunca se mostrou benéfico em outras viroses em que também havia dados in vitro promissores. Por isso mesmo, é necessário fazer ensaios clínicos de forma controlada, com revisões independentes, para demonstrar o real benefício (ou não) do fármaco e investigar como eliminar efeitos secundários danosos, que podem levar à morte do paciente. Esses ensaios clínicos estão em andamento no Brasil e em todo mundo, na tentativa de demonstrar a eficácia desse e outros medicamentos.

Estratégias de isolamento social têm um papel extremamente importante no enfrentamento desta crise. Visam a organização dos serviços de saúde para lidar com esta infecção que, apesar de grave, pode ser bem tratada por um sistema de saúde organizado e bem dimensionado (como na Alemanha). O Ministério da Saúde e as Secretarias de Saúde de vários Estados da Federação estão agindo corretamente, ao seguirem as recomendações da ciência e os exemplos exitosos de outros países.

A Academia Brasileira de Ciências acompanha a presente crise com preocupação e também com a determinação de fazer valer a evidência científica. Membros da ABC estão empenhados, noite e dia, no enfrentamento dessa epidemia.

É importante que as autoridades governamentais demonstrem sua adesão aos preceitos e precauções recomendados pela ciência e pelo sistema de saúde, pelo bem da população brasileira. Este é um momento de solidariedade e de responsabilidade. Em defesa da Vida.”

Fonte: Portal G1