Seja em isolamento social ou trabalhando nos setores de necessidade básica, população deve ficar atenta aos cuidados com a mente

Para muitas pessoas, lidar com o isolamento social exigido pela pandemia da Covid-19 não é nada fácil. Por isso é necessário que a população esteja atenta a práticas preventivas e cuidados com a saúde mental. Entre as diversas maneiras de se manter saudável, a principal delas é o apoio à família e buscar nesse momento de quarentena, oportunidades de fazer coisas que a rotina não nos permitia. Crianças e idosos devem receber uma atenção especial, mesmo que virtualmente, assim como pessoas que já possuem algum transtorno. Para ter mais orientações, confira entrevista com a professora de psicologia da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Fabiane Rossi.

– Qual a importância de manter a saúde mental durante a pandemia?
Fabiane Rossi – Essa situação tem nos colocado em confinamento é um grande desafio à saúde mental, porque nos deixa vulneráveis a ansiedade, depressão e estresse pós traumático. Por isso é importante a realização de práticas preventivas durante a quarentena. Por exemplo: práticas de meditação, alongamento, atividades físicas viáveis, contato virtual com familiares distantes. Por outro lado, temos um momento interessante para estar com a família e aproveitar o tempo, brincar com os filhos, organizar a casa, ações que a rotina nos impedem de fazer. Ter essa outra percepção da experiência é interessante.

– O que fazer quando as pessoas já sofrem de algum transtorno mental?
 Temos que ficar atentos, porque quadros de depressão e ansiedade podem se aguçar em pacientes que já têm esse diagnóstico e quem não tem pode desenvolver esses sintomas. O apoio familiar nesse momento é fundamental. Em caso de emergência, deve-se entrar em contato com o psicólogo ou psiquiatra para receber orientação.

– Quais são as alternativas para manter o convívio familiar durante o isolamento?
 O contato virtual e por telefone é importante para manter as relações sociais, principalmente com idosos. Mas o uso da internet não pode ser excessivo, principalmente pelo excesso de informações, muitas são catastróficas, isso se torna prejudicial. Por isso, sugerimos reduzir o tempo de exposição a esse tipo de notícias, ter um momento do dia só para se informar por fontes confiáveis.

– Qual é o papel da cultura nesse momento?
 É fundamental, a cultura entra no lazer e no saber e é, sem dúvida, uma forma importante para promoção de saúde mental. Buscar leitura de livros, assistir eventos importantes via televisão e canais que têm sido proporcionados neste momento. Existem sites disponibilizando visitas virtuais a museus internacionais, que às vezes não temos oportunidade de visitas. A música é extremamente terapêutica. A fuga da realidade pode ser interessante, mas não no sentido de alienação, senão subestima o problema. No entanto, pode ser saudável no sentido de sair um pouco desse excesso de informações.

– Como devem ser os cuidados com crianças e idosos?
– As crianças estão sem escola e ansiosos em casa, é importante ter prática de alongamento e um momento para estudar, inclusive. Limitar um pouco o acesso a telas, criar espaços de jogos com os pais, fazendo uma psicoeducação, orientando sobre coronavírus e a lavagem das mãos. Tem vários jogos e cartilhas circulando na internet para usar com eles. Já os idosos estão isolados e se sentindo muito ameaçados. Quem está distante pode ligar todos os dias, fazer videochamadas, para que não caiam no isolamento social extremo.

– Como explicar a crianças e idosos o que está acontecendo sem assustá-los?
 São duas situações diferentes. Para a criança, precisa explicar de acordo com a idade, dizer que é uma doença que está chegando, que não existe vacina, mas que estamos recolhidos para nos cuidarmos e nos protegermos. A criança precisa se sentir protegida, evitar notícias catastróficas, noticiários e internet. Já com o idoso, a orientação é diferente. Em quadros de grau de demência e dependendo do estado de saúde, às vezes tem mais dificuldade de compreensão. Tem que ter paciência, às vezes repetir as informações para que ele entenda o que está acontecendo. Alguns têm deficiências cognitivas.

Fonte: Tribuna de Minas