Dois atos foram promovidos na cidade por um coletivo feminista (Foto: Cheyenne Vieira)

No domingo, 8 de Março de 2020, mulheres saíram às ruas de São Lourenço, sul de Minas Gerais, para protestarem. Duas manifestações foram organizadas na cidade. Uma na feira, realizada na Ilha Antônio Dutra, e outra na Praça Brasil, no centro da cidade.

Entre as principais pautas levantadas pelo movimento estavam o fim da violência contra a mulher, por mais democracia e direitos e por justiça para Marielle Franco, vereadora assinada no Rio de Janeiro em 2018. No dia 14 de março, completam-se 2 anos de sua morte, ainda sem respostas.

Para as organizadoras do coletivo, que optaram por não ter seus nomes divulgados, as mulheres tem muitas pautas a serem levantadas, como salários iguais e justos, direitos sociais, acesso à creches e questões de saúde. Segundo elas, cerca de 50 mulheres participaram do ato na feira, e 80 da manifestação na Praça Brasil.

O coletivo que organizou o evento ainda não tem nome, e surgiu apenas uma semana antes do evento. Uma organizadora conta que tudo começou com um grupo no whatsapp e que a partir dele foi marcada uma reunião presencial, onde surgiram várias ideias. Uma artista local ofereceu um trabalho com ritmos brasileiros, com foco no maracatu, e então foi organizado um cortejo, que foi a parte principal das duas manifestações.

Na praça, após o ato, aconteceu ainda um show de forró tocado apenas por mulheres da Banda Babayagas. Promovido pelas organizadoras, o show substituiu o conhecido forró da praça, comum nos finais de semana.

No Brasil, dados mostram que manifestações como essa são necessárias. Segundo pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o número de feminicídios cresceu 30,7% entre 2007 e 2017. O número de feminicídios em 2019 também é o maior desde 2007. Quando feito o recorte racial, mulheres negras são ainda mais afetadas pela violência. Elas correspondem a 66% das vítimas de feminicídio no Brasil.

Para o coletivo, ir às ruas democratiza o debate sobre direitos das mulheres: “A rua é um espaço público onde tem mulheres e homens, adultos e crianças, ricos e pobres. Quando a gente leva um debate pra rua, nós o tornamos acessível para todos.” Para elas, é fundamental que as mulheres se organizem e vão para as ruas: “As mulheres vem sendo desarticuladas desde sempre. Nossa sociedade dá poder a homens que muitas vezes tomam decisões políticas e jurídicas para o malefício das mulheres. Quando as mulheres se organizam, o benefício não é só delas, é de toda a sociedade. Mulheres organizadas são uma necessidade social.”

Texto e fotos por Cheyenne Vieira. A cobertura fotográfica completa pode ser encontrada no Flickr: https://www.flickr.com/cheyennevieira